A primeira proposta de delação, apresentada em maio, passou por forte rejeição por parte dos órgãos de investigação, que comunicaram oficialmente o fim das tratativas. Contudo, ao final do mesmo mês, a Polícia Federal reconsiderou, acreditando que Vorcaro poderia apresentar informações adicionais valiosas em um novo acordo. Neste último material, os investigadores perceberam que, mesmo que o ex-banqueiro tenha fornecido mais detalhes e contexto em suas narrativas, as informações ainda não contemplam dados que não fossem já conhecidos.
As apurações em torno do caso têm se intensificado, especialmente com a análise de celulares apreendidos em diversas fases da Operação Compliance Zero. O foco é a relação de Vorcaro com a classe política e a ação de seus operadores financeiros tanto no Brasil quanto no exterior. Os investigativos, que ainda estudam o material recebido, precisam decidir se as negociações devem avançar ou ser encerradas de vez.
Os anexos foram entregues na última segunda-feira, e a interação entre a defesa e as autoridades continuou no dia seguinte, com a necessidade de adições ao dossiê. Embora uma terceira audiência tenha sido programada para a quarta-feira da semana passada, os investigadores pediram um prazo maior para examinar o conteúdo antes de realizar novos encontros.
É importante ressaltar que o primeiro documento está sob sigilo de Justiça, mas informações obtidas indicam que Vorcaro tentou se justificar quanto a compromissos financeiros com políticos, sem admitir envolvimento em práticas criminosas, um fator essencial para colaborar com as investigações e garantir os benefícios legais necessários. Acusações, como a suposta mesada ao senador Ciro Nogueira, que tem negado irregularidades, não foram aceitas pela delação, assim como os diálogos com figuras como Flávio Bolsonaro e o ex-governador do Rio, Cláudio Castro.
As interações têm ocorrido em meio a um regime especial de acesso autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, permitindo que a defesa se reúna com Vorcaro diariamente para discutir os termos da colaboração. Contudo, a partir desta segunda-feira, a frequência de visitas dos advogados será restringida a apenas 30 minutos por dia, o que pode alterar a dinâmica da construção da delação.
