BC – Déficit Primário do Setor Público Brasileiro Atinge R$ 16,4 Bilhões em Fevereiro, Mas Mostra Sinal de Melhora em Relação ao Ano Anterior

Em fevereiro, o setor público brasileiro registrou um déficit primário de R$ 16,4 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Embora o valor ainda seja negativo, houve uma melhora em comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando o déficit alcançou R$ 19 bilhões.

O conceito de resultado primário refere-se à diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo os gastos relacionados aos juros da dívida. Assim, o déficit primário indica que o governo gastou mais do que arrecadou durante o mês analisado. O resultado de fevereiro foi fortemente influenciado pela atuação do Governo Central, que inclui o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, apresentando um déficit expressivo de R$ 29,5 bilhões. Em contrapartida, os governos regionais, compostos por estados e municípios, conseguiram gerar um superávit de R$ 13,7 bilhões, enquanto as empresas estatais registraram um déficit modesto de R$ 568 milhões.

Analisando o acumulado dos últimos 12 meses, o setor público alcançou um déficit total de R$ 52,8 bilhões, que representa 0,41% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse número também demonstra uma melhora em relação ao mês anterior.

Contudo, apesar dessa evolução no resultado primário, os gastos com juros permanecem como a principal pressão sobre as finanças públicas. Em fevereiro, o governo desembolsou R$ 84,2 bilhões em juros da dívida, valor superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, que foi de R$ 78,3 bilhões. O aumento é reflexo da alta taxa básica de juros (Selic), da inflação e do crescimento da própria dívida pública.

Quando se somam os gastos com juros ao resultado primário, obtém-se o chamado resultado nominal, que indica o impacto total nas contas públicas. Assim, o déficit nominal para fevereiro chegou a R$ 100,6 bilhões. No acumulado de 12 meses, esse déficit nominal somou R$ 1,09 trilhão, equivalente a 8,48% do PIB.

Os dados também revelaram que a dívida bruta do governo geral, que inclui a União, o INSS e os governos regionais, alcançou 79,2% do PIB em fevereiro, totalizando R$ 10,2 trilhões. Essa alta na dívida foi impulsionada, principalmente, pelos gastos com juros. Por outro lado, a dívida líquida do setor público também apresentou crescimento e atingiu 65,5% do PIB, somando R$ 8,4 trilhões, o que evidencia uma tendência de aumento contínua nesse indicador.

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