Para contextualizar, em março do ano passado, o governo havia registrado um superávit de R$ 1,5 bilhão, mostrando um contraste significativo. Nos primeiros três meses de 2026, o déficit acumulado foi de R$ 17,1 bilhões, enquanto no mesmo período de 2025 a situação era bem diferente, com um superávit substancial de R$ 55 bilhões.
O resultado de março é composto por um déficit de R$ 24,6 bilhões proveniente do Tesouro Nacional e do Banco Central, além de R$ 49,2 bilhões na Previdência Social. Esse cenário impacta diretamente o cumprimento da meta fiscal estabelecida para este ano, que prevê um superávit de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, com uma margem de variação que permite um ajuste entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões.
Um dos principais fatores que contribuíram para esse déficit recorde foi o pagamento dos precatórios, que são as dívidas judiciais que a União possui. Este ano, a concentração do pagamento ocorreu em março, ao contrário de 2025, em que a maior parte foi feita em julho. O Tesouro Nacional explicou que essa mudança no calendário teve um forte impacto nas contas, refletindo-se em áreas cruciais como Sentenças Judiciais e Precatórios, que aumentaram em R$ 34,9 bilhões; Benefícios Previdenciários, com um aumento de R$ 28,6 bilhões; e Pessoal e Encargos Sociais, que subiram R$ 11,3 bilhões.
As despesas relacionadas a sentenças judiciais foram particularmente significativas, constituindo a maior parte dos aumentos nas categorias citadas, com 84% e 78%, respectivamente. Essas informações indicam um cenário econômico complicado, onde a gestão das contas públicas exigirá atenção redobrada nos próximos meses.
