Defesa diz que Rocha Loures sofreu coação ilegal e pede liberdade

Defesa diz que Rocha Loures sofreu coação ilegal e pede liberdade

A defesa do ex-deputado e ex-assessor da Presidência Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) ingressou nesta segunda-feira (5) no Supremo Tribunal Federal (STF) com habeas corpus para revogar a prisão do peemedebista. O relator do pedido, definido por sorteio, será o ministro Ricardo Lewandowski.

Rocha Loures foi preso preventivamente no último sábado (3). Em março, ele foi flagrado pela PF recebendo em São Paulo uma mala com R$ 500 mil. Segundo delações de executivos da JBS no âmbito da Operação Lava Jato, o dinheiro era a primeira parcela de uma propina que seria paga por 20 anos, informa o G1.

A prisão do ex-deputado foi autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Desde o fim de semana, Rocha Loures está no prédio da superintendência da PF em Brasília.

A polícia informou que ele será transferido na quarta e que, até esta data, ele deve prestar depoimento às autoridades. Segundo a defesa, no depoimento Loures deve usar o direito de ficar em silêncio.

No pedido, os advogados de Rocha Loures criticam o pedido de prisão feito por Janot e lembram que Fachin chegou a indeferir o pedido quando o peemedebista era deputado.

Ele perdeu o mandato na semana passada, quando o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio decidiu retornar à Camara. Rocha Loures era suplente da bancada do PMDB e ocupava o posto de Serraglio. Com isso, o agora ex-deputado perdeu o foro privilegiado.

A defesa de Rocha Loures afirma no pedido que, após o primeiro pedido de prisão ter sido rejeitado, o peemedebista “se achava em absoluto cumprimento das cautelares pessoais, em sua residência, com sua esposta no oitavo mês de gravidez, onde estava praticamente recluso, não saía face à exposição midiática a que ele e seus familiares foram expostos”.

Mesmo assim, segundo os advogados, a PGR “insuflou” um assédio da imprensa contra Rocha Loures, com o objetivo de “impor uma marcha espasmódica e espetacular” ao inquérito que investiga o ex-deputado. Para a defesa, esse assédio se deve porque a imprensa “supunha” que Rocha Loures era “alguém ‘capaz de derrubar o Presidente da República'”.

A defesa afirma ainda que o “açodamento” na prisão preventiva de Rocha Loures “provocou alguns atropelos” no processo.

“No curso do prazo defensivo, o douto PGR, desrespeitando esse prazo, interpôs pedido de reconsideração, alegando que o paciente não era mais parlamentar e que, portanto, havia perdido a prerrogativa de foro, justificando o decreto prisional. Inacreditavelmente, seis horas após a entrega das razões da defesa, Sua Excelência, o digno relator, na calada da noite (meia noite e meia) decretou a prisão do paciente”, reclamam os advogados.

‘Prisão para delatar’

Além de criticar a “pressa” em prender Rocha Loures, os advogados do peemedebista criticam o que eles chamam de “filosofia” da Operação Lava Jato: “prender, para humilhar, fragilizar e apavorar os investigados para que optem pela delação”.

A defesa do peemedebista afirma que a própria mídia “encorpou” tal filosofia e que, diante dos fatos, o relator da Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin, “aparentemente fora induzido em erro e acabou por sucumbir à sanha acusatória”.

Eles afirmam ainda que a “espetacularização” das prisões e buscas da Lava Jato estão agredindo direitos fundamentais dos cidadãos e estão transformando prisões em regra.

“Em outros termos, prende-se para investigar, para descobrir provas, para forçar delações, por precisar de tempo para produzir provas, mas não por necessidade da prisão. Prendem-se filhos, esposas, agregados, empregados, porteiros, secretárias, enfim prende-se a família para forçar a delação”, criticam.

05/06/2017

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