DEFESA DE OURO – Advogado de Ciro Nogueira integra grupo ligado a Lula e já atuou na defesa de Sarney e Collor – com Jornal Rede Repórter

O senador Ciro Nogueira (PP) escolheu como principal defensor o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, após ser alvo de busca e apreensão da Polícia Federal durante a quinta fase da operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

Conhecido nacionalmente por sua atuação em casos de grande repercussão política, Kakay tem histórico de proximidade com lideranças da esquerda e integra o grupo Prerrogativas, coletivo de advogados identificado por posições progressistas e apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A escolha chama atenção porque Ciro Nogueira foi um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tendo ocupado o cargo de ministro-chefe da Casa Civil entre 2021 e 2022.

Além da relação próxima com Lula, Kakay já atuou na defesa de figuras históricas da política brasileira, incluindo os ex-senadores José Sarney e Romero Jucá, ambos ligados ao MDB. O advogado também representou o ex-presidente Fernando Collor de Mello em investigações relacionadas a supostos esquemas de corrupção na BR Distribuidora.

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que a operação da Polícia Federal causou “estranheza”, alegando que as provas utilizadas para justificar as medidas teriam sido encontradas no celular de outra pessoa. Os advogados também compararam os métodos empregados na investigação às práticas adotadas durante a Operação Lava Jato.

Apesar da proximidade histórica com o PT, Kakay chegou a fazer críticas públicas ao governo Lula no ano passado. Em uma carta divulgada em agosto de 2025, o advogado afirmou que o presidente estaria isolado politicamente e distante de antigos aliados.

Na ocasião, ele escreveu que Lula teria perdido parte da capacidade de articulação política que marcou seus governos anteriores. Ainda assim, destacou que considera a derrota de Bolsonaro um dos principais legados políticos do atual presidente.

As investigações envolvendo Ciro Nogueira apuram suspeitas de favorecimento ao Banco Master em propostas legislativas relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo investigadores, uma minuta apresentada pelo banco teria sido reproduzida integralmente pelo senador em proposta no Congresso Nacional.

Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso, indicariam que o texto do projeto foi mantido sem alterações. A investigação também aponta suspeitas de pagamentos mensais ao senador, além de benefícios patrimoniais e relações empresariais entre as partes.

De acordo com os investigadores, os repasses poderiam chegar a R$ 500 mil mensais. A defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades e afirma que o parlamentar “repudia qualquer ilação de ilicitude” relacionada à sua atuação política.

O caso do Banco Master ganhou grande repercussão nacional após ser classificado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como “a maior fraude bancária da história do Brasil”, ampliando o debate sobre a influência política e econômica do grupo investigado.

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