Defesa de Nelson Piquet recorre de condenação por danos morais após declaração racista contra Lewis Hamilton

Nesta quarta-feira, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) está julgando um novo recurso apresentado pela defesa do ex-piloto Nelson Piquet. O caso em questão trata de uma condenação em março, na qual Piquet foi obrigado a pagar uma indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos. O motivo da condenação foi o fato de Piquet chamar o piloto inglês Lewis Hamilton de “neguinho” em uma entrevista a um canal do YouTube.

Essa nova apelação, que contesta a sentença, está sendo analisada pela 4ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A ação foi movida por organizações de direitos humanos e LGBTI, que acusam Piquet de racismo por seus comentários sobre Hamilton durante a entrevista. Em suas declarações, Piquet comparou um acidente envolvendo Hamilton com um episódio que ocorreu com Ayrton Senna em 1990.

Durante a entrevista, Piquet afirmou: “O neguinho meteu o carro e não deixou (desviar). O Senna não fez isso. O Senna saiu reto. O neguinho deixou o carro porque não tinha como passar dois carros naquela curva. Ele fez de sacanagem. A sorte dele foi que só o outro (Verstappen) se f… Fez uma p… sacanagem”.

Na sentença anterior, o juiz Pedro Matos de Arruda, da 20ª Vara Cível de Brasília, destacou a importância de se considerar não apenas a função reparatória da responsabilidade civil, mas também a função punitiva em casos como esse. Ele ressaltou que é necessário combater o racismo e a homofobia como sociedade.

Lewis Hamilton e sua equipe se posicionaram sobre o caso. Hamilton, por meio de sua conta no Twitter, afirmou que a prioridade no momento é “focar em mudar a realidade” e destacou a importância de combater mentalidades arcaicas. Ele declarou que foi alvo de atitudes racistas ao longo de sua vida e que é hora de agir.

Vale ressaltar que essa não é a primeira vez que a família Piquet provoca Hamilton. Em dezembro de 2021, o filho de Nelson Piquet, Nelsinho Piquet, comemorou de forma efusiva o título mundial de Max Verstappen e apareceu vestindo uma camisa com a estampa “Patrão é meuzovo”, em referência a Hamilton.

Nelsinho também foi piloto de Fórmula 1 e se envolveu em um escândalo em 2009, quando confessou ter provocado um acidente para beneficiar seu companheiro de equipe. No entanto, ele colaborou com as investigações e não foi punido pelo caso.

A decisão do TJ-DF sobre o recurso apresentado pela defesa de Nelson Piquet será fundamental para determinar as consequências do caso e se a condenação anterior será mantida ou revista. A expectativa é que o julgamento traga mais esclarecimentos sobre a questão do racismo no esporte e suas repercussões legais.

Sair da versão mobile