Segundo Mariângela de Mendonça da Silva, sacerdotisa do terreiro Rompe Mato, os terreiros de candomblé não são apenas locais de cura, mas também representam espaços de resistência para as comunidades afrodescendentes. Ela ressaltou que esses locais são acolhedores e oferecem alimentos de maneira igualitária para todos que chegam em busca de cura e pertencimento. A sacerdotisa destacou a importância da irmandade vivida nesses espaços e a igualdade presente em sua estrutura.
A coordenadora-geral de Políticas para Comunidades Tradicionais do Ministério da Igualdade Racial, Eloá Silva de Moraes, mencionou que o governo destinou cerca de R$ 1,5 milhão para políticas de segurança alimentar voltadas para comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. Ela salientou que as cozinhas dos terreiros são solidárias e desempenham um papel fundamental no combate à fome e na promoção da segurança alimentar, considerando o alimento como um instrumento sagrado.
A deputada Erika Kokay ressaltou a importância de proteger a espiritualidade africana e é autora de um projeto de lei que visa instituir o marco legal dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana. Por sua vez, o ativista Tata Ngunzetala destacou que a herança africana transcende os limites geográficos atuais e que a cultura dos povos de Angola influenciou um território mais extenso do que atualmente é atribuído ao país.
O debate reforçou a necessidade de valorizar e proteger a ancestralidade africana, além de promover a tolerância religiosa e o respeito às tradições ancestrais presentes nos terreiros de candomblé. A atuação e as demandas dessas comunidades tradicionais foram destacadas como essenciais para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.





