No discurso de abertura, o deputado Medeiros lembrou que o Parlamento alagoano se mantém vigilante e ativo na discussão de temas relevantes, destacando a ligação especial do estado com o Quilombo dos Palmares, ícone da resistência negra localizado em União dos Palmares. Medeiros frisou que a diversidade cultural do Brasil não deve permitir discriminações baseadas em cor, raça ou religião, e ressaltou o papel do Parlamento como um espaço aberto à sociedade. Ao final das discussões, Medeiros anunciou a elaboração de um documento a ser enviado a instituições governamentais e não governamentais, com propostas para enriquecer o debate sobre a consciência negra.
Marluce Remígio dos Santos, coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU) em Alagoas e representante do Sinteal, ressaltou a importância de encontros como esse, especialmente durante o mês de novembro. O MNU, com seus 46 anos de história, tem sido uma força na luta contra o racismo estrutural e institucional, além de batalhar por melhores condições de moradia, saúde e educação para a população negra. Marluce destacou a necessidade de implementação total da Lei 10.739/2003, que assegura o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas — uma tarefa ainda inacabada após 21 anos de sua promulgação. A presença do Estado em eventos como este reforça a importância desse compromisso educacional.
Leone Silva, secretária executiva do Conselho Estadual de Promoção e Igualdade Racial, enfatizou que a discussão e a apresentação de políticas contra o racismo estrutural devem ser contínuas e não restritas ao mês da Consciência Negra. A secretária lembrou a importância de recontar, revisar e reestruturar a história dos afro-brasileiros em Alagoas, após mais de três séculos de luta contra a escravidão e opressão. Silva destacou o trabalho do governo na articulação entre diversas secretarias estaduais para promover conversas, palestras e formações em quilombos e escolas, ampliando o debate sobre a igualdade racial.
