Cursos de Libras promovem inclusão social e ampliam horizontes

Maria das Dores é professora da rede estadual. José Fabiano é universitário. Gabrielle, Luiz Felipe, Rodolfo e Ana Carolina estudam juntos em um curso profissionalizante e já concluíram ou estão para concluir o ensino médio. Diferenças à parte, todos eles tem algo em comum: são os mais novos alunos do curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) do Centro de Atendimento às Pessoas com Surdez Joelina Alves Cerqueira (CAS). As matrículas de novatos aconteceram nesta quinta-feira (25) e as aulas começam no dia 5 de fevereiro.

Cada um tem uma motivação em particular, mas todos são movidos pelo desejo de interagir e se comunicar melhor com pessoas surdas. Maria das Dores Matias é professora de História da Escola Estadual Dom Otávio Aguiar, no Benedito Bentes, e se inscreveu no curso para se aprimorar como profissional e para se comunicar melhor com alunos surdos. “Temos salas de recursos na escola e fazer um curso como esse me permitirá uma melhor comunicação com nossos estudantes, além de ser um aprimoramento profissional. Vale muito a pena”, garante a educadora.

Aluno do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), José Fabiano Leite também foi motivado a fazer a matrícula no CAS após o contato com pessoas surdas. “Em nosso curso, trabalhamos muita a questão da inclusão digital e aprender Libras é algo que considero muito importante”, frisa o universitário.

Interação e comunicação

Os amigos Gabrielle Alves, Luiz Felipe de Melo, Rodolfo Monteiro e Ana Carolina da Conceição estudam no curso profissionalizante de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-AL). E foi uma amiga surda que inspirou todos a aprenderem Libras.

“Sempre tive curiosidade de aprender novas línguas e ter uma amiga surda conosco nos motiva ainda mais”, conta Gabrielle, que também é aluna do ensino médio da Escola Estadual Santos Dumont, em Rio Largo.

Luiz Felipe conta que, além da amiga Maria, tem vizinhos surdos e a necessidade de se comunicar com eles o levou a fazer o curso. Rodolfo, que sabe os cumprimentos básicos em Libras,acredita que o conhecimento do idioma promove uma importante ação de inclusão social. “Já convivi com surdos antes e vi que eles se sentem retraídos quando não conseguem se comunicar. Quando você sabe Libras, eles interagem melhor, fazem amizades”, observa.

Sua colega Ana Carolina é enfática. “Acho muito importante que diversos setores como hospitais, lojas e espaços educacionais saibam Libras para que o ouvinte se comunique com o surdo. Esse foi outro motivo para fazer o curso”, diz.

Público

A diretora-geral do CAS, Luciana Tenório, calcula que, no primeiro semestre de 2018, o Centro contará com 12 turmas de Básico I e II de Libras. Ela informa que ainda há vagas. “Temos pouco mais de 50 vagas ainda não preenchidas e os interessados podem vir fazer matrícula nesta sexta-feira, dia 26, das 8h às 12h. O atendimento será por ordem de chegada e será necessário apresentar uma foto 3×4 e as cópias e originais do RG, CPF e comprovante de residência”, orienta.

Luciana conta que, além das 150 vagas ofertadas à comunidade, o CAS terá diversas ações formativas para 2018, o que inclui formação para professores que trabalham em escolas que tenham grande quantidade de estudantes surdos e também para órgãos públicos como Detran, SMTT e Secretaria de Saúde de Maceió.

“No caso dos professores, a formação é voltada para a linguagem e entendimento do surdo, o que vai ajudar o professor a entender melhor seu aluno que, consequentemente, terá um aprendizado melhor. Também recebemos muita demanda de órgãos públicos que tem um contato mais direto com a população, assim como os familiares de estudantes surdos”, revela.

Ascom – 25/01/2018

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