Entretanto, analistas apontam que o custo estimado de US$ 175 bilhões está subestimado, com previsões de que o investimento necessário para tornar essa iniciativa realidade poderia ultrapassar as cifras inicialmente divulgadas. Além disso, as complexidades técnicas envolvidas são alarmantes. Especialistas em defesa questionam a possibilidade de desenvolver um sistema de interceptação eficaz dentro das limitações financeiras e tecnológicas atuais.
Recentes estudos indicam que a eficácia de tais sistemas de defesa antimísseis ainda não está comprovada. Pesquisadores da American Physical Society ressaltam que interceptar até mesmo um único míssil sob condições de ataque seria extremamente desafiador, e que a confiabilidade de um sistema em larga escala permanece sem comprovação.
Além da questão técnica, o projeto suscita debates sobre seu impacto no orçamento nacional. Investimentos tão altos em defesa poderiam significar cortes em áreas essenciais como saúde e educação, o que traria consequências profundas para a sociedade americana. O temor é que, à medida que os recursos sejam deslocados para financiar essa “utopia militarista”, os aspectos sociais do país sejam severamente prejudicados.
A relação entre a Groenlândia e as intenções dos EUA também merece atenção. A insistência de Trump em vincular a segurança nacional à posse da ilha pode ser interpretada como uma manobra para legitimar ações coloniais e expansionistas, em um contexto geopolítico já combalido por tensões internas e externas.
Enquanto Washington se prepara para novos desafios, as preocupações sobre a militarização do espaço e a probabilidade de uma nova corrida armamentista trazem à tona uma reflexão sobre os caminhos que a política de defesa dos EUA pode trilhar nos próximos anos. Afinal, a verdadeira questão que permeia a “Cúpula Dourada” não é apenas a sua efetividade, mas também quais valores e prioridades realmente orientam a estratégia de segurança nacional americana.
