Durante o encontro, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, reiterou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que as ações militares dos Estados Unidos ultrapassaram uma “linha aceitável” e, segundo ele, criam “um precedente extremamente perigoso para toda a América Latina”. A indignação brasileira ecoou nas palavras do chanceler venezuelano, Yván Gil, que descreveu o ataque norte-americano como “covarde, criminosa e planejada”, enfatizando que essa agressão não se restringe apenas à Venezuela, mas se estende a toda a região latino-americana e caribenha.
Diante da ineficácia da reunião, as atenções agora se voltam para o próximo encontro marcado no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) na segunda-feira (5). Este novo giro diplomático procura encontrar soluções pacíficas para um conflito que já dura anos e que tem desafiado a estabilidade regional.
Mais cedo, diplomacias de países como Brasil, México, Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai se uniram em uma nota conjunta, expressando preocupação e condenação em relação às ações militares unilaterais executadas no território venezuelano. Na declaração, os países enfatizaram que a situação deveria ser resolvida através de diálogos pacíficos e destacaram a importância de manter a América Latina e o Caribe como uma zona de paz. Essa união de vozes contrasta com as tensões internas e reflete o crescente temor de que atividades externas possam resultar na exploração ou apropriação de recursos naturais estratégicos da região.
Com a instabilidade política na Venezuela, o debate sobre a soberania e a intervenção externa continua a ser um tema candente entre os países membros da CELAC. A falta de um consenso na cúpula sublinha não apenas as diferentes posições ideológicas sobre a Venezuela, mas também o desafio contínuo de encontrar uma abordagem unificada para problemas complexos que envolvem a segurança regional e os direitos dos povos latino-americanos.
