Analistas ressaltam que a fragilidade atual da CELAC reflete um cenário regional marcado pela polarização política e por diferentes visões sobre temas cruciais, como a segurança. O pesquisador Ghaio Nicodemos, vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, aponta que as ausências de países como Argentina e Equador indicam um alinhamento crescente com Washington, complicando o consenso necessário para a discussão de problemas comuns.
Além disso, Nicodemos destaca que o crescimento da extrema-direita na América do Sul tem causado um “estrago” na institucionalidade da região, reduzindo as possibilidades de diálogo na CELAC. Ele observa que, enquanto a organização buscava promover a unidade entre os países, hoje existem visões divergentes. A política de segurança, por exemplo, que poderia ser uma pauta comum, é tratada de maneiras completamente diferentes por diversos países: o Brasil rejeita a interferência estrangeira no combate ao crime organizado, enquanto a Colômbia aceita apoio dos EUA para lidar com a produção de drogas.
Regiane Bressan, professora de relações internacionais da Unifesp, confirma essa fragmentação, enfatizando que há um desafio em alcançar uma estratégia regional homogênea frente às pressões externas. Bressan acredita que o grupo enfrenta um teste de resiliência, uma vez que países com interesses contraditórios dificultam uma resposta coesa às ações dos Estados Unidos.
Em resumo, a cúpula da CELAC se apresenta como um reflexo não apenas da fragmentação interna da América Latina, mas também da influência externa, especialmente dos EUA, que molda as prioridades e estratégias dos governos da região, cada vez mais desconectados entre si.







