Cunha Interceptado: PF Revela Diálogos que Mostram Insatisfação do Ex-presidente da Câmara com Cidades de Minas para Candidatura em 2024

A Polícia Federal revelou que interceptou mensagens entre Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e uma servidora da Casa, destacando a insatisfação de Cunha com municípios de Minas Gerais. O ex-deputado, cassado em 2016, está se preparando para se candidatar novamente nas eleições deste ano e enfrenta sérias acusações relacionadas à manipulação de emendas parlamentares. Em um movimento drástico, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Cunha, seguindo investigações que apontam irregularidades nas emendas destinadas ao estado mineiro, mesmo na ausência de seu mandato.

As mensagens interceptadas fazem parte da Operação Transparência, que investiga desvios relacionados ao orçamento secreto. Em uma dessas conversas, Cunha expressa sua frustração de forma explícita, sugerindo a troca de uma emenda destinada a Governador Valadares por outra cidade, afirmando: “Não aguento mais esses mineiros enrolados”. Essa conversa foi retirada do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que está sendo investigada como operadora do esquema de emendas.

O documento da Polícia Federal ressalta que Cunha nunca teve vínculos políticos com Minas Gerais, o que levanta perguntas sobre suas intenções ao buscar apoio político local. De acordo com a investigação, mesmo sem um mandato ativo, o ex-presidente da Câmara atuou para realocar recursos, buscando angariar apoio para sua campanha. As conversas revelam uma certa desconsideração de Cunha pelos municípios mineiros e pelos prefeitos com os quais interagia.

Além da troca de emendas, em setembro de 2025, Cunha decidiu substituir a beneficiária de um repasse destinado a Manhuaçu, alegando desejar evitar conflitos locais, afirmando: “Cidade pequena é uma guerra”. Em outro momento, ao discutir remanejamentos envolvendo diversos municípios, se desculpou com a servidora, reconhecendo a complexidade da situação.

Os investigadores afirmam que as emendas, criadas para atender demandas legítimas, foram subjugadas a um esquema informal, questionando as práticas de transparência e a responsabilidade de quem não responde mais ao povo. A decisão de bloqueio e suspensão das emendas sob suspeita é uma medida significativa em um cenário político já conturbado, à medida que novas eleições se aproximam e as investigações continuam a se desenrolar.

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