Cuba supera Venezuela e se torna a principal nacionalidade de pedidos de refúgio no Brasil em 2025, segundo levantamento do Observatório das Migrações Internacionais.

Em um cenário migratório em constante transformação, os dados recentes do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) revelam uma tendência significativa no Brasil. Em 2025, os cidadãos cubanos ultrapassaram os venezuelanos e se tornaram a nacionalidade com o maior número de pedidos de refúgio no país. Segundo o último estudo intitulado “Refúgio em Números 2026”, foram registradas impressionantes 41.919 solicitações de refúgio de cubanos, representando 55,4% do total de 75.599 pedidos no Brasil no ano passado.

Este aumento de 88,1% em relação ao ano anterior destaca não apenas a crescente crise enfrentada pelos cubanos, mas também reflete as mudanças políticas e econômicas na região. As razões por trás dessa migração podem estar ligadas, em grande parte, a uma conjuntura adversa. Em particular, o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Cuba, especialmente após a intensificação das ações militares americanas na Venezuela, teve um impacto direto sobre a economia cubana. O país, que já enfrenta décadas de dificuldades econômicas, agora também sente a pressão da interrupção do fornecimento de petróleo bruto venezuelano – uma das principais fontes de energia da ilha.

Os dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) indicam que a região Norte do Brasil absorveu a maior parte das solicitações, com 52,4% do total, seguida pelo Sudeste com 29,2% e pelo Sul com 13,3%. Enquanto isso, Centro-Oeste e Nordeste somaram, respectivamente, apenas 3,2% e 1,9% dos pedidos.

A situação se agravou em janeiro, quando o governo dos Estados Unidos, por meio de um decreto assinado pelo então presidente Donald Trump, anunciou tarifas sobre importações de nações que apoiam economicamente Cuba. Essa medida se deu após a declaração de estado de emergência em razão de uma suposta ameaça à segurança nacional dos EUA. Além disso, em maio, novas sanções foram impostas a entidades cubanas, intensificando ainda mais o quadro de crise e motivando um número crescente de cubanos a procurar refúgio em outros países, como o Brasil.

O fluxo de refugiados cubanos, portanto, não é apenas uma questão de mobilidade humana, mas reflete complexos fatores políticos e sociais que tornam a realidade na ilha cada vez mais insustentável para muitos de seus cidadãos. O Brasil, ao assumir o papel de destino para essas pessoas, se vê diante de um desafio significativo em termos de integração e apoio a um número crescente de novos residentes buscando segurança e melhores condições de vida.

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