Nos últimos meses, a situação se agravou a ponto de muitos cubanos recorrerem a métodos de culinária tradicionais, como o uso de carvão e lenha, reminiscências do “Período Especial” da década de 1990. Ao mesmo tempo, uma nova solução tem ganhado destaque: a utilização de triciclos elétricos equipados com painéis solares, que se tornaram um meio de transporte inovador em meio à escassez de recursos.
Diante desse cenário, as famílias têm buscado alternativas para mitigar os impactos dos apagões. Algumas optaram por instalar painéis solares e sistemas de armazenamento de energia, assim como ventiladores recarregáveis. Instituições públicas, como hospitais e escolas, também estão implementando essas soluções para garantir a continuidade dos serviços essenciais.
O professor universitário Fabio Fernández ressalta que os cortes de energia em Havana são agora frequentes e muitas vezes ultrapassam 15 horas, algo impensável até há pouco tempo. A falta de eletricidade também impacta diretamente as comunicações, com a deterioração dos serviços de telefonia e internet, que dependem da energia elétrica para operar.
Em meio a essas dificuldades, a economista Omar Everleny Pérez aponta que as sanções afetam desproporcionalmente as comunidades mais vulneráveis. Embora o setor de turismo, uma das principais fontes de receita da ilha, tenha sido afetado pela redução das operações hoteleiras, a realidade cotidiana da população continua a ser marcada pela luta pela sobrevivência.
O contexto também levou à antecipação do término do ano letivo, uma medida que gera preocupações entre pais e educadores sobre o impacto no aprendizado das crianças, que muitas vezes fazem suas lições à luz de velas ou lâmpadas recarregáveis. Apesar de todos os desafios, muitos cubanos expressam uma resiliência admirável. Como um morador de Havana resumiu: “A vida muda, mas a gente continua.”





