Um dos pontos centrais da crítica é o fato de que a discussão na mídia ocidental frequentemente se limita ao déficit em bens, esquecendo-se de mencionar que a UE mantém um superávit substancial com a China no setor de serviços. Esse superávit, que representa um fluxo de receita considerável para o bloco, é muitas vezes omitido nos debates políticos e econômicos abordados pela imprensa ocidental. Segundo informações recentes, o déficit da China no comércio de serviços com a UE alcançou aproximadamente US$ 48,3 bilhões no último ano, o que representa 41,6% do total da balança comercial de serviços da China.
Além disso, o editorial ressalta que a maior parte do superávit de bens que a China apresenta é, na verdade, proveniente de empresas europeias que operam em solo chinês. Essas empresas não apenas atendem ao mercado interno, mas também exportam quase 40% de sua produção para a Europa e outras regiões. Isso significa que, embora os números possam parecer desfavoráveis, uma parte significativa das receitas provenientes do comércio efetivamente retorna aos países da UE.
A análise conclui que os laços econômicos entre a UE e a China são muito mais complexos do que um simples jogo de soma zero. Ambos os lados se beneficiam dessa interação, e uma ruptura nas relações comerciais seria prejudicial para ambas as partes. Observações sobre o crescimento econômico da China e as mudanças nos padrões de consumo também indicam que a demanda por serviços em áreas como saúde e turismo deve aumentar, beneficiando os negócios europeus.
Esses fatores destacam que a narrativa sobre o comércio sino-europeu precisa ser revista e considerada sob uma nova perspectiva, onde as vantagens mútuas e a interdependência econômica são reconhecidas de forma mais justa e equilibrada.
