A crise econômica no Iraque: um colapso alarmante nas exportações de petróleo
Recentemente, o Iraque atravessa uma de suas mais profundas crises econômicas, acentuada pela queda abrupta em suas exportações de petróleo, que registraram uma redução superior a 70%. O cenário é um reflexo direto da guerra com o Irã e do fechamento do estreito de Ormuz, via essencial para a navegação do petróleo iraquiano.
Dados alarmantes surgem à medida que a produção de petróleo do país caiu de 3,4 milhões para aproximadamente 250 mil barris por dia. Essa drástica diminuição colocou o orçamento do governo sob uma pressão insustentável. Informações de fontes especializadas revelam que cerca de 90% do orçamento estatal é sustentado pelas vendas de petróleo, enquanto 90% de bens de consumo, incluindo alimentos e medicamentos, são importados, na sua maioria, através do estreito de Ormuz.
A crise econômica não apenas prejudica as finanças do país, mas também expõe a fragilidade de um governo interino que permanece no poder meses após as últimas eleições. Este governo enfrenta críticas devido a ataques concertados dos EUA a milícias xiitas que recebem apoio de Teerã. Em recente escalada do conflito, sete soldados iraquianos perderam a vida em um ataque atribuído a forças norte-americanas.
Os especialistas destacam que a dependência do petróleo e a falta de diversificação econômica nas últimas décadas tornam o Iraque vulnerável a choques dessa natureza. O impacto já é evidente, com perdas estimadas em cerca de US$ 5,4 bilhões, o equivalente a aproximadamente 2% do PIB projetado para 2024. De acordo com economistas, o atual governo pode ter recursos financeiros suficientes para honrar os salários públicos apenas durante um ou dois meses, o que levanta preocupações sérias sobre a capacidade de atender às necessidades da população.
Além disso, a dependência de gás iraniano para a geração de eletricidade se torna um fardo adicional, especialmente após ataques a importantes instalações gasíferas no Irã que resultaram em queda acentuada nas importações. A situação é ainda mais complexa devido ao papel das milícias xiitas que têm realizado ataques a alvos norte-americanos, causando retaliações e intensificando a tensão no território iraquiano.
Em busca de soluções, o governo de Bagdá tenta reparar oleodutos e declarou força maior em campos operacionais de empresas estrangeiras. Entretanto, mesmo que consiga aumentar as exportações para 500 mil barris por dia, essa quantidade ainda será insuficiente para atender às obrigações básicas do país, como assistência social e pagamento de salários. No momento, a dependência de um oleoduto que conecta o Curdistão à Turquia oferece uma frágil esperança, sustentada por pressões externas, principalmente dos EUA.
Assim, o futuro econômico do Iraque permanece incerto, à mercê de fatores geopolíticos e intervenções externas que podem impactar significativamente sua já fragilizada estrutura econômica.
