Crise Global de Moradia Atinge 3 Bilhões de Pessoas e Exige Ações Urgentes, Aponta Relatório das Nações Unidas sobre Cidades em 2026

O recente relatório sobre a crise global de moradia, intitulado “Crise Global de Moradia: Caminhos para Ação”, revela uma realidade alarmante: cerca de 3 bilhões de pessoas, quase 40% da população mundial, enfrentam sérios desafios para garantir um lar adequado e acessível. A pesquisa enfatiza que a solução desse problema complexo requer um aumento significativo em investimentos, políticas públicas eficazes e ações colaborativas entre diversos setores da sociedade.

Com uma previsão de que, até 2050, as cidades do mundo absorverão cerca de 2 bilhões de novos habitantes, o cenário se torna ainda mais preocupante. A rápida urbanização, aliada à escassez de habitação e ao aumento dos preços dos terrenos, está sobrecarregando os sistemas de moradia existentes. Para complicar, fatores como a desigualdade social e as mudanças climáticas contribuem para a deterioração das condições de vida. Estima-se que eventos climáticos extremos poderão destruir aproximadamente 167 milhões de moradias até 2040, com as perdas decorrentes de desastres climáticos alcançando a cifra de US$ 280 bilhões em 2023, grande parte das quais sem cobertura de seguros.

O deslocamento forçado se tornou uma realidade crescente, com 123,2 milhões de pessoas deslocadas até o final de 2024, o que representa o dobro do número registrado uma década atrás. Esses deslocados frequentemente se estabelecem em cidades em condições inadequadas, com pouca segurança habitacional. Em países em desenvolvimento, a moradia informal representa até 80% das construções residenciais, refletindo a gravidade da situação.

Paralelamente, a crise de moradia revela uma interseção crítica com os direitos humanos. Muitos países falham em prevenir despejos forçados e garantir condições dignas de habitação. Quase 44% dos lares em todo o mundo destina mais de 30% de sua renda para moradia. A situação é ainda mais dramática na África Subsaariana, onde 55% dos inquilinos enfrentam sobrecarga financeira.

O relatório destaca a urgência de um novo contrato social que envolva governos, setor privado e comunidades na busca por soluções. A proposta é transformar a visão sobre favelas e assentamentos informais, reconhecendo sua contribuição na dinâmica urbana e motor de subsistência.

Para realmente enfrentar essa crise, é imprescindível expandir e direcionar adequadamente os recursos, aumentando substancialmente os investimentos em habitação social e acessível. A participação comunitária deve ser central na formulação e execução de políticas públicas, assegurando que as vozes dos moradores sejam ouvidas e respeitadas.

Apresentado durante a 13ª sessão do Fórum Urbano Mundial em Baku, no Azerbaijão, o relatório indica que, mesmo com os desafios imensos, a crise habitacional pode ser resolvida, desde que adotemos uma abordagem que valorize a inclusão e a sustentabilidade. Assim, será possível construir um futuro onde cada pessoa tenha acesso a moradias dignas e seguras.

Sair da versão mobile