Crise entre Congresso e Planalto se agrava e ameaça projetos essenciais do governo Lula, incluindo Orçamento e indicação ao STF. Tensão no ar.

A relação entre o Congresso e o Planalto atravessa um momento conturbado, exacerbado pela ausência significativa dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, respectivamente, na recente cerimônia de sanção da isenção do Imposto de Renda. Este episódio não apenas simboliza a crescente tensão entre os Poderes, mas também lança uma sombra sobre várias iniciativas estratégicas do governo Lula, incluindo o Orçamento de 2026, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Com uma atmosfera carregada de expectativas negativas para o Executivo, cresce o receio de derrotas em votações cruciais, especialmente em vetos presidenciais. Esse clima hostil é alimentado por disputas internas que envolvem cargos, emendas e o controle da agenda legislativa. A repercussão da prisão de Jair Bolsonaro, por exemplo, teve um impacto reduzido no Congresso, com reações discretas por parte da direita e discussões sobre anistia permanecendo restritas a esferas informais.

Motta e Alcolumbre, que anteriormente foram aliados do governo, afastaram-se após a nomeação de Messias, o que provocou descontentamento em seus círculos. O presidente do Senado começou a articular contra a indicação e, em um claro recado ao Planalto, aprovou um projeto de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, implicando um custo bilionário para os cofres públicos. Embora governistas tentem minimizar essa ação, há uma expectativa de que Lula busque reatar o diálogo, uma vez que a ruptura seria prejudicial a ambas as partes.

Na Câmara, a tensão se intensificou após Motta romper publicamente com Lindbergh Farias, líder do PT, em resposta a críticas sobre a escolha de um relator para um projeto importante. Embora tenha afirmado que sua insatisfação era direcionada apenas ao líder petista, Motta expressou descontentamento com o governo, apontando promessas não cumpridas e uma falta de nomeações para aliados.

Internamente, aliados de Motta acusam a administração de incentivar ataques à Câmara. O presidente da Casa manifestou insatisfação com declarações que considerou desleais e identificou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República como um dos responsáveis por agitações nas redes sociais. Esse grupo defende a reavaliação da relação com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após promessas não atendidas.

Este cenário delicado pode impactar medidas econômicas cruciais, como a proposta de corte de R$ 20 bilhões em subsídios e a tramitação de uma medida provisória que visa incentivar a instalação de data centers. Apesar do reconhecimento da tensão política, o governo alega que esses desentendimentos não deveriam afetar as relações institucionais. Por sua vez, interlocutores de Lula enfatizam a necessidade de um maior esforço para apaziguar o clima com o Congresso.

Além disso, Motta parece consolidar sua posição ao articular um bloco de 275 deputados, unindo oito partidos e assegurando uma maioria capaz de aprovar propostas urgentes sem depender de um alinhamento ideológico específico. Essa manobra é vista como uma estratégia para fortalecer sua governabilidade e preparar o terreno para uma possível candidatura à reeleição em 2027, mesmo diante de dissidências internas.

No entanto, os bolsonaristas tentam reavivar a pauta de anistia após a prisão de Bolsonaro, mas enfrentam dificuldades significativas, resultando em uma reação fraca e sem mobilizações populares substanciais. Este cenário revela um esvaziamento da força política desse agrupamento, enquanto líderes como Sóstenes Cavalcante começam a defender uma abordagem mais moderada e estratégica diante do novo panorama.

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