A justificativa de Washington para a revogação do visto inclui a suposta demora do Itamaraty em aprovar o nome de Daniel Perez como embaixador dos EUA no Brasil, cargo que está vago desde o início da gestão Trump. O Palácio do Planalto não deixou de expressar sua indignação, considerando a decisão uma hostilidade e uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, que se aproxima com Lula buscando um quarto mandato. O governo brasileiro se apoiou na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas para defender que o nome do indicado ao cargo diplomático só deveria ser divulgado após a autorização do Brasil.
A crise diplomática gerada por este episódio é considerada inédita na história das relações entre os dois países, levando especialistas a descreverem as ações norte-americanas como uma “agressão grave”. A situação foi discutida por Roberto Goulart Menezes, professor de relações internacionais, que enfatizou o descumprimento das normas diplomáticas e a importância da embaixadora para a representação do Brasil no exterior.
Adicionalmente, a postura do ministro da Defesa, José Múcio, também gerou controvérsia. Ele declarou em evento que, diante de uma possível invasão dos Estados Unidos, a melhor opção seria “abrir o portão”, uma declaração que foi amplamente criticada por especialistas e que carrega implicações sérias sobre a soberania nacional brasileira.
Com a aproximação das eleições, analistas veem no Brasil um alvo estratégico dos Estados Unidos na América Latina, especialmente após a eleição de líderes de direita na Colômbia e no Peru. Há um consenso entre os especialistas de que a Casa Branca busca aumentar sua influência e, possivelmente, alterar a relação do Brasil com a China, que atualmente é um dos principais investidores no país. A intenção de Washington de transformar o Brasil em um “país subalterno”, similar à situação da Venezuela, somada às tensões recentes, levanta preocupações sobre o futuro das relações entre os dois países e o impacto que isso poderá ter na política regional.
