O ambiente diplomático entre os dois países, segundo especialistas, é permeado por um clima de tensão sem precedentes. A pesquisadora Vitória França aponta que o ponto crítico dessa crise foi em 2024, quando a França reconheceu o Saara Ocidental como parte do Marrocos, um gesto que irritou profundamente a Argélia, vista como uma aliada do movimento pela independência saharaui. Desde então, quaisquer desavenças, como a aprovação recente da lei, têm sido interpretadas como uma escalada de conflitos diplomáticos.
Vitória argumenta que um pedido de desculpas formal da França poderia ser um passo importante para melhorar as relações, mas considera essa possibilidade remota, principalmente em virtude das complicações internas do governo de Emmanuel Macron. A política interna da França, que lida com diversas questões, pode ser um empecilho para qualquer ato de reconciliação.
O historiador Sayid Marcos Tenório, por sua vez, ressalta que o reconhecimento dos crimes perpetrados durante o colonialismo francês é crucial, especialmente em um contexto onde a Argélia se apresenta como uma nação independente há mais de cinco décadas. Embora a nova legislação tenha um efeito principalmente interno, ela reflete uma demanda crescente por justiça e pela reparação de danos históricos, alinhando a Argélia a uma narrativa de reivindicação em um cenário global.
Ainda que essa medida seja de caráter doméstico, a cobrança argelina por reconhecimento e reparações não deve ser subestimada, pois coloca a França, simbolicamente, no banco dos réus da história, reforçando a necessidade de uma reflexão profunda sobre os legados do colonialismo e suas consequências nas relações contemporâneas. A crise entre Argélia e França é, portanto, um capítulo importante de uma história ainda não totalmente resolvida.






