Durante uma entrevista recente, Cardozo descreveu o caso como “escandaloso”, sugerindo que a crise poderia resultar em uma fratura na direita radical brasileira. As contradições na narrativa de Flávio sobre suas interações com Vorcaro são preocupantes. Após inicialmente negar qualquer proximidade, o senador acabou por admitir a realização de encontros e negociações financeiras com o empresário. Para Cardozo, essa sucessão de mentiras não apenas compromete a credibilidade de Flávio, mas também pode ser vista como falta de decoro parlamentar, fundamentando uma possível cassação de seu mandato.
O ex-ministro fez uma analogia com o caso de Eduardo Cunha, que foi cassado por mentir em sua atuação no Parlamento, ressaltando que o dano político e ético decorrente dessa situação pode ser semelhante. Ele também levantou questões sobre a origem dos recursos atribuídos ao filme vinculado ao clã Bolsonaro, insinuando que essa atividade pode ser mais uma maneira de arrecadação financeira do que uma verdadeira produção cinematográfica.
Além disso, Cardozo não hesitou em apontar a possibilidade de crimes financeiros, como evasão de divisas e lavagem de dinheiro, clamando por um aprofundamento nas investigações e para o bloqueio de bens relacionados ao senador. A percepção de Cardozo é de que novas revelações ainda estão por vir, e que muitas figuras significativas podem ser afetadas nesse processo.
Observando as movimentações no cenário político da direita, Cardozo mencionou que líderes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema estão emergindo como opções viáveis, frente ao desgaste de Flávio. Em um tom irônico, ele comentou sobre a presença de Sergio Moro ao lado do senador, sugerindo que a expressão do ex-juiz emitia um pressentimento de crise iminente.
Finalizando suas considerações, Cardozo enfatizou a necessidade de investigações rigorosas, apesar de criticar a divulgação seletiva de informações. Ele ainda se pronunciou sobre discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) que tratam de eventuais reduções de penas às condenações do dia 8 de janeiro, alertando que tais mudanças poderiam contrariedade à Constituição. Cardozo concluiu que o escândalo que envolve Flávio Bolsonaro é apenas o início de uma crise que pode ter repercussões muito mais amplas.
