Nos bastidores, as atenções se voltam para o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, do PT da Bahia, e para o ministro da Secretaria das Relações Institucionais, José Guimarães. Ambos, que ocupam cargos estratégicos, apresentaram avaliações excessivamente otimistas sobre a aprovação de Messias e não previam uma derrota, o que dificultou qualquer manobra para mudar os rumos da votação. Essa confiança infundada gerou uma impressão de descaso em relação ao risco real que a votação representava.
Os aliados do governo expressaram descontentamento com o que consideraram uma atuação política “muito precária”. A crítica central consiste na afirmação de que, diante da iminente votação e da possibilidade de Alcolumbre influenciar resultados, deveria ter havido uma articulação prévia para postergar a votação no plenário, uma estratégia que poderia ter mitigado a derrota advinda.
Um episódio emblemático que ilustra essa falha ocorreu quando Alcolumbre, antes de anunciar o resultado da votação, informou a Wagner que Messias perderia por uma diferença significativa de votos, o que deixou claro que o presidente do Senado detinha um controle sobre a situação que o governo desconhecia. Além disso, Wagner fez uma análise superficial a respeito do resultado, indicando ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Messias seria aprovado, o que limitou a capacidade de ação do governo para evitar um revés ainda maior no Congresso.
Alguns membros do governo começaram a sugerir a substituição de Wagner na liderança, apesar da sua longa amizade com Lula. Aspectos como seu erro no cálculo dos votos e a imagem negativa projetada ao abraçar o logotipo de Alcolumbre após o resultado da votação acentuaram as vozes de descontentamento que cercam sua pessoa.
A chegada de Guimarães ao ministério parecia ser uma oportunidade de reestabelecer um bom relacionamento com Alcolumbre, especialmente considerando que o presidente do Senado estava presente em sua posse no Palácio do Planalto. A expectativa era de que essa presença indicasse um desejo de aproximação, já que Alcolumbre havia se mantido distante do governo. Contudo, a leitura de que a artulação tinha sido mal conduzida se mantém, evidenciando a necessidade urgente de ajustes na política de relacionamentos do governo.
