
Usuários do Serviço Estadual de Equoterapia, que recupera e insere na sociedade pessoas com algum tipo de deficiência física ou mental, assistiram, nesta segunda-feira (21), aos filmes O Homem Aranha e Meu Malvado Favorito 3. A ação, que ocorreu no Cine Kinoplex, no bairro Mangabeiras, em Maceió, faz parte da Semana da Pessoa com Deficiência, que tem o objetivo de dar visibilidade à causa.
As sessões de cinema tiveram o propósito de oferecer opções de entretenimento para crianças e famílias que, muitas vezes, tiveram de limitar suas atividades sociais por receio do comportamento da sociedade. Isso porque, segundo a fisioterapeuta da Supervisão de Cuidados à Pessoa com Deficiência da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Walbeska Galvão, para as pessoas com deficiência, um simples passeio ao shopping, restaurante ou a uma festa, pode gerar situações desconfortáveis.
Acompanhados dos pais e sentados nas poltronas, os garotos permaneceram com os olhos vidrados na tela, cada um aproveitando à sua maneira. Durante toda a sequência das cenas, a sala de cinema ficou com as luzes acesas, som mais baixo e a plateia pode andar, dançar, gritar ou cantar à vontade. Além disso, as portas ficaram abertas e as crianças podiam sair e se movimentar como quisessem.
Para a fisioterapeuta da Supervisão de Cuidados à Pessoa com Deficiência da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), a iniciativa é uma oportunidade única. Isso porque, ela permitiu aos pais levarem as crianças a um ambiente de lazer, onde ninguém as observou com olhares de reprovação.
“Muitas dessas crianças nunca estiveram em um cinema e foi um momento único para elas, uma terapia de concentração e entendimento. Queremos, com isso, a inclusão desses usuários em todos os ambientes. Quando eles passam a frequentar locais considerados ‘normais’, é um avanço na questão da dignidade, do acesso à cultura. Nossa sociedade dita um padrão e quem fica de fora é julgado, e isso é desumano”, comentou.
Primeira Vez no Cinema – A dona de casa Polyana Agra levou o filho Vincente Raffaello Soares, de 8 anos, pela primeira vez ao cinema. “Antes de ele fazer o tratamento eu não conseguia sair muito de casa, como ir o shopping ou festas, por receio das pessoas se sentirem incomodadas com o comportamento dele. Hoje eu não me importo, até porque ele precisa se adaptar ao mundo, mas eu nunca tive coragem de ir a uma sessão comum”, relatou a mãe da criança.
Quem também aproveitou para ir ao cinema foi o Heitor Lessa, de 8 anos. A mãe, Fabiana Lessa, disse que já levou o pequeno ao cinema algumas vezes, e acredita que a sessão o ajudou a ser reconhecido na sociedade. “Muitas vezes, no ônibus, ele não quer descer, faz birra e as pessoas pensam que é malcriação. Eles não sabem o que é o autismo, tampouco a hiperatividade”, salientou.
O pequeno Heitor Lessa, por sua vez, não escondia a alegria de estar no cinema assistindo ao Homem Aranha. “Aqui é muito mais legal. Eu assisto filmes na minha televisão, que é pequena. Se der, quero vir mais vezes”, contou a criança, surpresa com o tamanho da tela.
Ascom – 21/08/2017





