Criação de Ouvidoria Setorial na SSP gera críticas e acusações de tentativa de esvaziamento da Ouvidoria da Polícia.

A recente criação de uma Ouvidoria Setorial na Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo está gerando polêmica entre representantes de defesa dos direitos humanos. Essa nova iniciativa foi publicada pelo secretário Guilherme Derrite no Diário Oficial, causando incômodo em relação à possibilidade de esvaziar as atribuições da já existente Ouvidoria da Polícia, além de representar um custo adicional para os cofres públicos.

A resolução que institui essa “ouvidoria paralela” prevê que a SSP será responsável por indicar o ouvidor desse novo órgão, que contará com dois funcionários e um conselho de usuários de serviços públicos. Vale ressaltar que a Ouvidoria Setorial funcionará no térreo do prédio da própria SSP e promete atuar de forma independente.

A nova ouvidoria terá como incumbência receber elogios, reclamações, sugestões e denúncias, exceto aquelas relacionadas a ocorrências policiais que violem os direitos humanos, que ainda serão de responsabilidade da Ouvidoria da Polícia. O estado de São Paulo tem enfrentado um aumento na letalidade policial, com denúncias de abusos cometidos pela Polícia Militar em operações como Escudo e Verão na Baixada Santista.

A Ouvidoria da Polícia se pronunciou recentemente, apontando para atribuições conflitantes com a nova ouvidoria setorial e questionando a necessidade dessa criação, considerando-a dispendiosa e inadequada. Além disso, a organização destaca a importância de fortalecer o seu próprio conselho de usuários, conforme previsto em lei.

Representantes de grupos de defesa dos direitos humanos manifestaram preocupações em relação a essa resolução da SSP. Benedito Mariano, primeiro ouvidor da Ouvidoria da Polícia e sociólogo, criticou a criação da nova ouvidoria, classificando-a como uma “ouvidoria chapa branca” que não terá independência. Adilson Santiago, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, também questionou a resolução, apontando para uma tentativa de esvaziar o trabalho da Ouvidoria da Polícia.

A SSP afirmou que encaminhará as indicações para a escolha do ouvidor e da equipe da nova ouvidoria para avaliação da Controladoria Geral do Estado, seguindo as determinações legais. A nova ouvidoria terá atuação independente em relação aos serviços prestados pela SSP, sem impactar a atuação da Ouvidoria da Polícia em casos de violações de direitos fundamentais cometidas por policiais.

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