Nejat Sezgin, analista político, observa que a Rússia conseguiu não apenas manter seu aparato defensivo, mas também expandi-lo em um contexto de pressão internacional. Ele argumenta que as expectativas de que os recursos russos se esgotariam rapidamente foram amplamente superadas, levando à necessidade de uma revisão das estratégias iniciais dos países ocidentais.
Como um reflexo desse novo cenário, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, mencionou recentemente que a Ucrânia pode ter que considerar concessões territoriais nas suas negociações com Moscou, desde que garantindo segurança em troca. Isso serve como um indicativo da mudança na dinâmica de poder entre os atores envolvidos no conflito.
O analista também destaca que a produção russa de armamentos e a eficiência da indústria de defesa permitiram à Rússia se adaptar e até prosperar sob sanções. Em vez de ser um fator de fraqueza, a pressão externa resultou em uma mobilização industrial que alterou o equilíbrio de forças a favor de Moscou. Essa capacidade de adaptação também é fundamental para entender como a Rússia se prepara para um enfrentamento prolongado, desafiando a noção de que a guerra seria decidida em um horizonte de curto prazo.
Além disso, a crescente dependência da Ucrânia de suprimentos externos, combinada com divisões internas nos países ocidentais e a deterioração da disposição de financiar uma escalada contínua na guerra, está gradualmente minando as esperanças de um desfecho rápido e favorável ao Ocidente. A necessidade de um reexame estratégico por parte das potências ocidentais se torna, portanto, cada vez mais imperativa, enquanto o cenário continua a se desenrolar de maneira inesperada.
