Cresce a preocupação com segurança e privacidade, e brasileiros começam a restringir o uso de celulares por crianças de 10 a 13 anos, aponta IBGE.

A crescente preocupação com a segurança e privacidade das crianças emerge como o principal motivo que leva pais e responsáveis a hesitar em fornecer telefones celulares para filhos na faixa etária de 10 a 13 anos. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em 2025, 32% dos responsáveis citam esse argumento, representando um significativo aumento de 7,8 pontos percentuais em comparação com 2024.

Esse fenômeno ocorre em um contexto onde a discussão sobre a exposição de crianças e adolescentes na internet tem ganhado destaque no Brasil. A aprovação do ECA Digital, em agosto do ano passado, e sua implementação em março deste ano, intensificou o debate sobre os riscos enfrentados pelos jovens nas redes sociais. Um vídeo do influenciador Felca, que alertou sobre esses riscos, repercutiu amplamente, desencadeando investigações sobre a exploração de crianças em ambientes virtuais e casos de segurança que também se tornaram notícias frequentes.

A pesquisa do IBGE evidencia uma mudança nas prioridades dos pais em relação ao uso de celulares por crianças. Em 2022, as principais justificativas para a restrição ao uso de aparelhos eram o alto custo dos dispositivos e a falta de necessidade. Agora, a razão relacionada à segurança e privacidade se destaca, quase dobrando sua relevância no período.

Especialistas, como a educadora Priscilla Montes, enfatizam que a falta de privacidade no universo digital pode ter repercussões nocivas para a saúde mental e o desempenho escolar das crianças. Montes alerta que a exposição precoce às redes sociais pode elevar a ansiedade, afetar a autoestima e promover a busca desenfreada por validação, agravada por comparações constantes e situações de assédio e bullying virtual. Esses fatores podem comprometer o desenvolvimento emocional e a formação da identidade das crianças, afetando suas relações sociais e o desempenho acadêmico.

Outro dado importante que emerge da pesquisa é a primeira queda desde 2016 no número de crianças entre 10 e 13 anos que possuem um smartphone, que registrou 55,2% em 2025, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior. Já entre adolescentes de 14 a 19 anos, a pesquisa apontou uma estabilidade no número de usuários. Para o analista do IBGE, Gustavo Fontes, essa diminuição reflete a crescente preocupação com a segurança infantil nas plataformas digitais e as restrições recentes ao uso de celulares nas escolas.

Além disso, o acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos também caiu, passando de 84,9% para 84,4%, com a falta de necessidade como justificativa principal, seguida pela preocupação com segurança e privacidade. Esse panorama ressalta um momento de reflexão e mudança nas atitudes dos pais em relação ao uso da tecnologia por suas crianças.

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