O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) alcançou impressionantes R$ 7,2 trilhões em abril, apresentando um crescimento de 0,3% em comparação ao mês anterior e de 9,3% em relação ao ano anterior. No entanto, o panorama revela uma diminuição em relação aos 9,8% registrados em março, sinalizando uma tendência de desaceleração no crescimento.
Os dados evidenciam uma perda de ímpeto nas operações de crédito, tanto para pessoas jurídicas quanto para pessoas físicas. O crédito destinado a empresas cresceu 6,7% em um ano, uma queda em relação ao 7,6% observado até março. As famílias, por sua vez, receberam um acréscimo no crédito de 10,8% comparado ao ano anterior, uma ligeira diminuição em relação ao 11,1% registrado no mês anterior.
Outro aspecto alarmante do relatório é a disparada nas taxas de juros, que se tornaram um verdadeiro obstáculo para consumidores e empresas. Em abril, a taxa média das concessões bancárias atingiu 33,8% ao ano, refletindo um acréscimo de 0,6 ponto percentual mensalmente e um aumento acumulado de 2,4 pontos percentuais em comparação a 2023. No setor dos créditos livres, os juros médios chegaram a 49,5% ao ano, enquanto para pessoas físicas, a taxa saltou para 63% ao ano.
As concessões de crédito, apesar do cenário de juros elevados, continuaram a crescer, com os bancos liberando R$ 691,5 bilhões em empréstimos apenas em abril. Ajustados sazonalmente, os dados mostraram um aumento de 2,1% no mês, impulsionado principalmente pelas operações com empresas.
Entretanto, a questão da inadimplência também se tornou mais grave, com o percentual de atrasos superiores a 90 dias na carteira total de crédito chegando a 4,4% em abril, uma elevação de 0,9 ponto percentual em um ano. Entre as famílias, o índice de inadimplência atingiu 5,4%, enquanto o crédito livre para pessoas físicas atingiu alarmantes 7,2%.
O comprometimento da renda das famílias continua alto, situando-se em 29,3% em março, uma variação de 1,3 ponto percentual em 12 meses. A porcentagem de endividamento das famílias também é preocupante, atingindo 49,8% da renda acumulada no ano.
Finalmente, o relatório do BC destacou um crescimento no chamado crédito ampliado ao setor não financeiro, que engloba empréstimos bancários e títulos públicos e privados. O estoque desse segmento chegou a R$ 21,1 trilhões em abril, representando 162,7% do PIB, com uma expansão de 11,1% em 12 meses. Esses números refletem um cenário complexo para o crédito no Brasil, que requer atenção e estratégias adequadas para enfrentar os desafios impostos pelas taxas e inadimplência crescentes.





