Essa afirmação vem na esteira de uma nota oficial enviada à imprensa, onde a consultoria busca distanciar-se de qualquer responsabilidade relacionada às movimentações financeiras que estão sendo alvo de investigação pela Polícia Federal. Segundo C&M, a responsabilidade pelos investimentos cabe exclusivamente aos gestores do Iprev. A assessoria reiterou que a consultoria nunca foi consultada sobre esses investimentos e que não emitiu pareceres técnicos ou participou de formalizações documentais para as operações em questão.
Ao estabelecer essa posição, a C&M coloca a responsabilidade administrativa nas mãos dos gestores do Iprev, afirmando que são esses agentes que devem responder pelas decisões e movimentações de recursos. A empresa enfatizou que todas as ações relativas à aprovação e movimentação de recursos são responsabilidade exclusiva da autarquia.
Entretanto, o cenário se complica diante da investigação policial. Segundo informações que circulam no âmbito das apurações, a Polícia Federal discorda da versão apresentada pela consultoria. Há indícios de que a C&M pode ter desempenhado um papel mais ativo do que sustenta, incluindo a condução de credenciamentos e a elaboração de documentos relacionados aos investimentos. A investigação busca esclarecer se houve uma “terceirização indevida” das funções administrativas do Iprev.
Recentemente, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou ações de busca na sede da C&M, com o intuito de coletar documentos que possam esclarecer a real participação da consultoria nas operações. A empresa, por sua vez, reafirma que seu envolvimento foi minimal e que o dirigente Renan Foglia Calamia só participou remotamente de uma parte de uma reunião, deixando o encontro antes das deliberações sobre os investimentos.
Assim, a apuração deverá esclarecer a linha que separa a responsabilidade da consultoria e a dos gestores do instituto, além de investigar as credenciais e a supervisão dos indivíduos que ocupavam cargos estratégicos no Iprev, especialmente em relação à alocação de milhões de reais destinados à previdência dos servidores municipais. Até o momento, não há condenações para a C&M ou seus dirigentes, e as investigações continuam em curso.
