Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego destacam que, atualmente, os juros médios do crédito consignado, que opera sob as regras da CLT, estão na casa dos 3,2% ao mês. Embora essa taxa seja inferior à de outras formas de financiamento, ela ainda representa uma taxa anual superior a 110%.
De acordo com informações do Banco Central, o volume mensal de crédito consignado liberado no âmbito privado cresceu de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões desde a implementação do novo modelo de financiamento. O estoque total dessa modalidade atingiu a cifra impressionante de R$ 110 bilhões em março deste ano, um aumento considerável em relação aos pouco mais de R$ 41 bilhões registrados no ano passado.
Uma das principais novidades introduzidas foi a possibilidade de contratação digital, permitindo que diversos perfis de trabalhadores, incluindo os domésticos, rurais e microempreendedores, acessem empréstimos com desconto em folha de pagamento diretamente por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. Essa inovação elimina a necessidade de convênios entre empresas e instituições financeiras e estabelece um limite de comprometimento de até 35% da renda do trabalhador.
O aumento na competitividade é evidente, com o número médio de instituições financeiras oferecendo crédito por empresa saltando de quatro para 21, refletindo uma dinâmica de maior concorrência no setor. Esse movimento também se traduziu em um crescimento no número de novos contratos, que aumentou de cerca de 11 mil para mais de 25 mil.
Por outro lado, um aspecto alarmante se destaca: conforme a pesquisa, 78% dos trabalhadores que aderiram ao novo modelo de crédito consignado possuem sua renda comprometida em mais de 81% com dívidas. O índice de inadimplência nessa modalidade subiu de 4,9% para 6,6% entre novembro de 2022 e março deste ano. Isso traz à tona a necessidade urgente de promover educação financeira e planejamento para garantir um uso consciente do crédito.
Além disso, o Brasil atingiu um novo recorde de inadimplência, com 82,8 milhões de pessoas negativadas, somando quase 49% da população adulta. Entre as principais causas do endividamento estão o uso excessivo de cartões de crédito e a falta de pagamento de contas básicas, como água e luz.
O estudo revela que a adesão ao novo modelo de crédito foi maior entre aqueles com menor histórico de acesso ao financiamento. A análise aponta que 86% dos empréstimos foram contratados por trabalhadores com baixa pontuação no score de crédito, evidenciando a busca por alternativas financeiras por parte de faixas menos favorecidas. A realidade do crédito consignado sinaliza, portanto, tanto oportunidades como desafios para a inclusão financeira no país.
