Esse cenário provoca questionamentos sobre a credibilidade das entidades reguladoras do esporte, como a FIFA e a UEFA. A recente decisão de permitir que a seleção israelense enfrente a França no Stade de France, mesmo com um histórico de vítimas, incluindo atletas, no conflito, ilustra um padrão de “dois pesos, duas medidas”. Enquanto a Rússia é excluída, o esporte parece servir como um mecanismo de soft power para Israel e seus aliados, refletindo uma possível manipulação da imagem de nações no contexto das relações internacionais.
Vladimir Putin, em um evento intitulado “Rússia, uma potência esportiva”, expressou sua crença de que o esporte deveria ser um campo livre de politicagem, destacando a necessidade de equidade em sua aplicação. A professora de relações internacionais, Karina Calandrin, argumenta que a participação de Israel em eventos internacionais serve para suavizar a percepção negativa decorrente de seus conflitos, enquanto a exclusão da Rússia reforça uma narrativa de isolamento.
No entanto, especialistas em relações internacionais, como Roberto Goulart Menezes e Demetrius Pereira, assinalam que a política sempre fez parte do esporte, mesmo quando as entidades tentam estabelecer um padrão de neutralidade. Casos históricos, como o uso da propaganda pelos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 e as sanções à África do Sul na época do Apartheid, demonstram que a separação entre esporte e política é, muitas vezes, ilusória.
Além disso, a análise das práticas da FIFA e UEFA revela uma tendência preocupante: a possibilidade de que suas decisões sejam influenciadas por interesses políticos, enquanto os atletas e suas respectivas federações são os que sofrem as consequências diretas. A contínua participação de Israel em competições, apesar das hostilidades, reforça as críticas sobre uma aplicação seletiva das sanções, minando a integridade e a autoridade dessas instituições.
Assim, o dilema torna-se evidente: à medida que as entidades esportivas enfrentam uma crescente pressão para agir diante de questões políticas globais, a percepção de parcialidade pode levar à desconfiança e à divisão entre os amantes do esporte, afetando a noção de fair play que, supostamente, deveria estar no cerne das competições internacionais.





