A votação do relatório, contudo, pode ser postergada para o sábado, 28 de março, último dia da comissão. As expectativas são de que alguns membros da base do governo solicitem uma vista do texto, um mecanismo que permite mais tempo para análise e debate, especialmente em relação aos indiciamentos propostos.
O relatório em questão apresenta uma volumosa extensão, com aproximadamente 4.400 páginas e 218 pedidos de indiciamento, revelando a seriedade das investigações conduzidas. Alfredo Gaspar já adiantou que seu parecer será de natureza técnica, evitando desvio para a política, ao não citar diretamente figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o ex-presidente Jair Bolsonaro. O impacto dessas escolhas já está refletido nas 38 reuniões realizadas ao longo do processo, que resultaram em 14 prisões.
A expectativa é de que o relatório inclua nomes relevantes, como o do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o que pode gerar repercussão significativa. Além disso, representantes da base governista já manifestaram sua intenção de apresentar um parecer paralelo ao relatório de Gaspar, embora Paulo Pimenta, deputado do PT, tenha sinalizado a possível incorporação do seu texto ao documento principal, caso um acordo seja alcançado — uma possibilidade que, no entanto, apresenta baixa chance de concretização.
Em meio a esse contexto, o Supremo Tribunal Federal, em uma decisão que deixou claro que a CPMI não teria mais tempo para suas atividades, rejeitou a extensão dessas investigações por 8 votos a 2. O ministro André Mendonça havia previamente autorizado a prorrogação dos trabalhos por 120 dias, mas a formalização da medida falhou em sessões conjuntas presididas pelo senador Davi Alcolumbre. Assim, a CPMI corre contra o tempo para concluir suas deliberações e apresentar um relatório que poderá impactar significativamente o cenário político e judiciário do país.
