O deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no INSS, afirmou nesta quinta-feira (12) que os trabalhos da comissão passaram a enfrentar maiores obstáculos quando as apurações avançaram para operações ligadas ao sistema financeiro.
Segundo o parlamentar, a fase inicial da investigação, que tratou da atuação de associações envolvidas nos descontos sobre aposentadorias e pensões, apresentou menos resistência. Já na etapa atual, que analisa operações de crédito consignado e outros produtos financeiros destinados a beneficiários da Previdência, a comissão teria encontrado maior dificuldade para obter informações e ouvir depoentes.
Durante coletiva à imprensa, Gaspar afirmou que há uma tentativa de “blindagem” em torno do sistema financeiro, o que, segundo ele, dificulta o aprofundamento das investigações. O deputado também comparou os valores envolvidos nas diferentes fases da apuração. De acordo com o relator, enquanto a etapa relacionada às associações teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões, a análise sobre operações financeiras pode envolver valores superiores a R$ 400 bilhões.
O parlamentar também comentou decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, impactaram o andamento dos trabalhos da CPMI. Gaspar citou determinações do ministro Flávio Dino relacionadas à suspensão de sessões que tratariam de quebras de sigilo, além da autorização para que a empresária Leila Pereira não comparecesse à comissão e da proibição de eventual condução coercitiva.
Apesar das dificuldades apontadas, o relator afirmou que a comissão continuará reunindo informações até a elaboração do relatório final. Segundo ele, o objetivo é identificar responsáveis e esclarecer possíveis irregularidades envolvendo descontos e operações financeiras direcionadas a aposentados e pensionistas do INSS.
