CPI Revela Fraude Milionária do Banco Master Durante Depoimento de Gabriel Galípolo ao Senado

Crise no Banco Central: A Derrocada do Banco Master e suas Implicações

Em janeiro de 2025, quando Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central (BC), o Banco Master já enfrentava sérios problemas financeiros. No entanto, Galípolo ainda não tinha plena ciência da gravidade da situação. Durante seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, ele traçou um quadro detalhado da maior fraude bancária da história brasileira, conforme avaliação do Ministério da Fazenda.

A atuação irregular do Banco Master, anteriormente sob controle do banqueiro Daniel Vorcaro — atualmente preso —, se concentrava em um esquema de captação de depósitos de clientes comuns com a promessa de segurança do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Contudo, os recursos obtidos eram aplicados em ativos de baixa liquidez, resultando numa crescente incapacidade de honrar os compromissos financeiros. A situação se agravou com a prática de venda de carteiras de crédito recém-criadas, gerando uma fachada de liquidez imediata que, na prática, escondia uma crise sistêmica.

Em fevereiro de 2025, após investigações do BC, ficou evidente que o Master estava vendendo novas carteiras e não desinvestindo em ativos já existentes. Para complicar ainda mais, a apuração das irregularidades não era simples, exigindo um detalhado cruzamento de dados para comprovar que os empréstimos supostamente realizados nunca ocorreram. O BC, então, iniciou um processo sancionador contra a instituição por descumprimento de regras.

Conforme estipulado pela legislação brasileira, o BC buscou uma solução no mercado antes de considerar a liquidação do banco. Assim, surgiu a proposta de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB). No entanto, essa negociação desmoronou ao serem reveladas irregularidades nos ativos envolvidos, levando a um desfecho caótico que culminou na liquidação do banco em novembro de 2025, com apenas 10% dos valores necessários disponíveis em caixa.

No entanto, a crise não parou por aí. O BRB, ao absorver ativos problemáticos do Master, foi obrigado a fazer provisões adicionais, gerando preocupações sobre sua saúde financeira. As implicações desse escândalo se aprofundaram com a investigação que resultou no afastamento de dois servidores do BC por suspeitas de favorecimento durante a supervisão do Master, sinalizando potenciais falhas na supervisão bancária.

Adicionalmente, um episódio envolveu uma reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto, na qual Galípolo encontrou o presidente Lula e membros key do governo e foi orientado a conduzir a situação de forma técnica e sem “pirotecnia”. Isso aumentou os questionamentos sobre a influência política em um processo já comprometido.

Em meio a este turbilhão, o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, não compareceu a depoimentos convocados, deixando um espaço vazio durante as discussões críticas sobre corrupção na política financeira do Brasil. O tempo é curto e a CPI se depara com a necessidade de aprofundar investigações que podem revelar mais sobre a infiltração da corrupção nas instituições.

Como se vê, os desdobramentos da crise do Banco Master não apenas evidenciam fragilidades no sistema bancário nacional, mas também abrem uma caixa de pandora sobre as intersecções entre finanças e política no Brasil contemporâneo.

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