O regimento interno da Assembleia exige o mínimo de nove assinaturas para que uma CPI seja instaurada. Na semana passada, quando o empenho pelos deputados começou, apenas três assinaturas haviam sido colhidas. A mobilização tomou impulso na quinta-feira, quando os parlamentares Dr. Wanderley e Remi Calheiros, ambos do MDB, se juntaram ao esforço de Medeiros. “Acredito que chegaremos a 20 assinaturas ainda esta semana, incluindo membros da oposição. Todos têm interesse em explorar os meandros dessa transação com o dinheiro dos aposentados de Maceió”, afirmou Medeiros.
Visando um funcionamento contínuo, apesar do recesso legislativo iniciado recentemente, Medeiros convocou uma reunião para esta sexta-feira (3) com os parlamentares que assinaram o pedido de CPI. O objetivo é traçar um cronograma de atividades para avançar nas investigações. Na sequência, após a coleta completa das assinaturas, o trio de deputados planeja encaminhar o requerimento ao presidente da Assembleia, Marcelo Victor, para que ele o inclua na pauta da primeira sessão ordinária em agosto.
Além de registrar as assinaturas, os deputados têm a intenção de solicitar esclarecimentos ao Iprev sobre as razões de um investimento em uma instituição em dificuldades financeiras. Entre as questões que pretendem investigar está a relação de gestores municipais com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, e se houve irregularidades no processo, como a possível falsificação de assinaturas por parte dos conselheiros do instituto.
Caso as investigações sejam ignoradas por aqueles que forem convocados, Medeiros deixou claro que a CPI terá autonomia para usar suas prerrogativas, podendo até acionar mecanismos de coerção para garantir os depoimentos necessários. A estratégia inclui reuniões periódicas durante o recesso, buscando acelerar o processo e esclarecer os fatos.
De acordo com o deputado, não restam dúvidas sobre a gravidade da situação, que ele classifica como um desvio de dinheiro público, afetando diretamente os servidores aposentados. Para Medeiros, as investigações devem ser minuciosas e revelar todos os envolvidos, permitindo que um relatório detalhado seja encaminhado à Polícia Civil de Alagoas e à Polícia Federal.
O caso do Banco Master se tornou um escândalo significativo, com o Iprev investindo uma quantia alta em um banco que está em processo de liquidação. A grande preocupação é a recuperação desse capital, especialmente considerando que o Fundo Garantidor oferece cobertura de apenas até R$ 250 mil, o que deixa uma lacuna em relação ao valor investido. As consequências dessa transação para os aposentados da Prefeitura de Maceió permanecem como um entrave para a moralidade pública, enquanto outras cidades do Brasil enfrentam situações similares com seus respectivos institutos de previdência.





