CPI do INSS busca desmascarar vínculos financeiros do Banco Master com fraudes às aposentadorias em encontro decisivo no STF antes de depoimento de banqueiro.

Na tarde desta terça-feira, o senador Carlos Viana, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, se reunirá com o ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, agendado para as 15h, ocorre em um momento crucial, a apenas dois dias do depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master, perante a comissão mista de inquérito.

A expectativa nos corredores do Congresso é palpável, especialmente diante da possibilidade de que uma decisão do STF possa desafiar a obrigatoriedade de comparecimento de Vorcaro. Tal movimentação jurídica poderia prejudicar a intenção da CPI de explorar possíveis conexões entre as atividades financeiras do Banco Master e prejuízos enfrentados por aposentados e pensionistas do INSS que optaram por empréstimos consignados com a instituição.

A defesa de Vorcaro, ciente das implicações, está avaliando a possibilidade de recorrer ao STF. O foco de sua estratégia é contestar a obrigatoriedade do depoimento, reiterando o direito do empresário de permanecer em silêncio durante o processo.

Vorcaro foi convocado para depor na próxima quinta-feira, durante a primeira reunião da CPI em 2026. A convocação, que obteve aprovação em dezembro com apoio da oposição, não apenas solicita seu depoimento, mas também determina a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. A CPI visa aprofundar suas investigações sobre potenciais irregularidades em empréstimos consignados e outros serviços financeiros oferecidos pelo banco a grupos vulneráveis, uma das prioridades do colegiado.

Em um contexto mais amplo, a situação do Banco Master se complicou rapidamente. Em novembro de 2025, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da instituição, após descobrir sérias violizações normativas e uma crise severa de liquidez. Essa decisão foi um passo importante que desencadeou a Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal. Esta operação, sob a relatoria do ministro Toffoli no STF, investiga indícios de gestão fraudulenta, manipulação contábil e a emissão de carteiras de crédito fictícias—problemas que levantam questões sobre as práticas financeiras do Banco Master, especialmente nas suas negociações com o Banco de Brasília (BRB).

Assim, o cenário se desenha com complexidade, em que a CPI e as investigações judiciais podem determinar não apenas o futuro de um banco, mas também o destino de muitos beneficiários do INSS afetados por suas operações.

Sair da versão mobile