O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), expressou seu descontentamento com a falta de apoio a seu relatório, que também incluía o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entre os indiciados. Notavelmente, o texto deixou de fora Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o que gerou críticas de parlamentares alinhados ao governo.
Durante a sessão, Vieira argumentou que o fundo Reag, vinculado ao Banco Master, teria sido “fartamente utilizado pelo PCC”, o que justificaria a inclusão de ministros no relatório. Apesar dessa justificativa, a votação foi influenciada por mudanças eleitorais que ampliaram a base do governo na comissão, adicionando novos senadores que garantiram pelo menos dois votos extras à favor.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), também se pronunciou, tecendo críticas ao STF e ao comportamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele lamentou o fato de a prorrogação da CPI não ter ocorrido e questionou a falta de indiciamento de quem considerou ser membros de uma organização criminosa, referindo-se à expectativa de que um verdadeiro trabalho de investigação teria que incluir todos os envolvidos.
Antes da votação, Vieira tentou exclusões dos indiciamentos, mas sua proposta não teve sucesso. A rejeição do relatório repercutiu fortemente no ambiente político, com o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, questionando a lógica de uma CPI do Crime Organizado que não envolve diretamente membros de organizações criminosas.
Por fim, declarações de ministros do STF em relação às investigações foram vistas como ameaçadoras, levando Vieira a afirmar que o “modus operandi” deles refletia intimidação contra os parlamentares. A polarização e os desdobramentos dessa CPI demonstram um momento tenso na política brasileira, em que as relações entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário permanecem em um constante embate.
