De acordo com o requerimento elaborado pelo relator Alessandro Vieira, Hirano e Ortiz estariam envolvidos na transação de compra de dois imóveis localizados em Queimados, na Baixada Fluminense. Os compradores dessa negociação são a Agera Negócios Imobiliários Ltda. e o fundo de investimento imobiliário Aquilla FII. Este último, por sua vez, teve envolvimento em transações que culminaram na aquisição do Banco Máxima em 2017.
As apurações indicam que a transação em questão pode ter facilitado a inserção de recursos de origem ilícita em fundos regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), seguindo estruturas do Grupo Aquilla e culminando na compra da instituição que se tornaria o Banco Master. O relator ressaltou que documentos da CVM, datados de outubro de 2015, revelam que Ortiz detinha participação em fundos geridos por uma administradora de recursos cuja relação com Hirano está sob investigação.
Além disso, a Sefer Investimentos, atual gestora envolvida, foi alvos de investigações da Polícia Federal relacionadas a esquemas de repasse de recursos suspeitos. Relatórios apontam que uma offshore nas Bahamas, ligada à Sefer, foi criada imediatamente após a liquidação do Banco Master, o que levanta ainda mais suspeitas sobre a atuação de Hirano.
O Grupo Aquilla, controlado por Benjamim Botelho de Almeida, sendo ele próprio uma figura controversa vinculada ao esquema do Banco Master, também entra na equação. Botelho, reconhecido por suas conexões financeiras e por seu papel como intermediário, juntamente com Hirano, fez parte da gestão suspeita que inflou artificialmente os investimentos na instituição.
A CPI trouxe à tona ainda que documentos da Receita Federal revelam a associação direta de Hirano com atividades de gestão na Associação dos Ocupantes do Centro Logístico de Queimados desde 2012 e seu papel em conectar Ortiz a Botelho. Os dois imóveis em questão estão, atualmente, sob investigação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, com indícios de que 20% de cada terreno pertença a Ortiz, tendo os bens sido avaliados de maneira inflacionada para inserção nos fundos do Grupo Aquilla.
Este cenário complexo traz à luz uma rede que interliga a lavagem de dinheiro, o tráfico de drogas e a manipulação do sistema financeiro, revelando detalhes intrigantes que aguçam o interesse das autoridades e da sociedade. A CPI prossegue com suas investigações na esperança de elucidar os pormenores dessa teia de corrupção e crime organizado.
