Irina Ogneva, chefe do Laboratório de Biofísica Celular do Instituto de Problemas Biomédicos da Academia Russa de Ciências, explicou que a pesquisa será dividida em duas séries de experimentos distintos. A primeira envolverá uma linhagem de moscas que viajará ao espaço pela primeira vez, enquanto a segunda irá estudar uma linhagem que já participou de diversas missões anteriores. O retorno das amostras está agendado para 26 de julho.
As moscas que estarão no experimento estão programadas para serem lançadas à EEI pela espaçonave Soyuz MS-29, no dia 14 de julho. O início dessa pesquisa remonta a abril de 2025, quando as duas primeiras gerações de moscas-das-frutas nasceram em ambiente espacial, após serem levadas para a estação durante a Expedição 73. As larvas retornaram à Terra apenas 12 dias depois, marcando o início de um ciclo que tem gerado novas descobertas sobre a biologia desses insetos em condições extraterrestres.
Esses experimentos estão intrinsecamente ligados ao projeto Cytomechanarium, que visa aprofundar os conhecimentos sobre os efeitos da microgravidade. A sétima geração dos descendentes das moscas-das-frutas foi enviada ao biossatélite Bion-M nº 2, que permaneceu em órbita por quase um mês, resultando no nascimento da nona e décima gerações no espaço.
Adicionalmente, outra fase da pesquisa ocorreu entre 27 de novembro e 9 de dezembro de 2025, com o envio de mais descendentes dos mosquitos. Dessa vez, as gerações 14, 15 e 16 retornaram à Terra em uma nova missão com a Soyuz MS-27.
As moscas-das-frutas foram escolhidas como modelo para esses estudos devido à sua rápida reprodução e ao seu papel vital na pesquisa genética. Os cientistas buscam entender não apenas os impactos imediatos da microgravidade sobre os organismos, mas também as possíveis adaptações que podem surgir ao longo de várias gerações, ampliando assim nossos conhecimentos sobre a vida no espaço e suas implicações para futuras missões de longa duração.
