Belo Horizonte — A recente reestruturação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Belo Horizonte levou a uma significativa redução no número de profissionais que atuam nas ambulâncias da capital mineira. A prefeitura anunciou a diminuição, resultando em uma nova composição das equipes operacionais. Das 22 Unidades de Suporte Básico (USBs), 13 agora contam com apenas um técnico de enfermagem por plantão, enquanto as outras nove mantêm dois técnicos, uma alteração que afeta diretamente a capacidade de atendimento.
Com a atual reestruturação, Belo Horizonte possui um total de 677 profissionais distribuídos entre 28 ambulâncias, divididas em 22 USBs e seis Unidades de Suporte Avançado (USAs). Anteriormente, as equipes das ambulâncias de suporte básico eram compostas por um motorista e dois técnicos de enfermagem. A nova configuração reduziu a equipe em algumas unidades, o que gerou preocupação entre os especialistas em saúde e a comunidade.
Essa mudança foi motivada pelo desligamento de 33 técnicos de enfermagem que foram contratados de forma temporária durante a pandemia de Covid-19. A prefeitura justificou que a rescisão desses contratos já estava prevista e que a atual composição das equipes respeita os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Contudo, o corte não passou despercebido e gerou uma onda de críticas.
Em resposta à reestruturação, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação civil pública buscando suspendê-la. Para o MPMG, a diminuição de profissionais no Samu pode afetar de maneira adversa a continuidade e a qualidade do atendimento de urgência, num momento em que a cidade enfrenta uma situação de emergência em saúde pública devido ao aumento de casos de síndromes respiratórias.
A preocupação com o atendimento ficou evidente em um incidente recente, quando três ambulâncias foram necessárias para responder a uma única ocorrência, evidenciando a possibilidade de um colapso na capacidade de resposta do serviço. O Samu em Belo Horizonte já opera em condições desafiadoras, atendendo uma população superior a 2 milhões de habitantes, com tempos médios de resposta que variam de 40 a 50 minutos, podendo se estender a quatro horas em períodos de alta demanda.
Por fim, a prefeitura sustentou que as mudanças estão de acordo com as normas do Ministério da Saúde, destacando que os profissionais desligados foram contratados de maneira transitória. Entretanto, as críticas persistem, evidenciando um aumento na preocupação da população sobre o que pode ser afetado na assistência médica emergencial na capital.
