Corte da Itália Revoga Extradição e Libera Ex-Deputada Carla Zambelli, Levando a Novas Questões sobre seu Futuro e Possível Retorno ao Brasil

A Corte de Cassação da Itália, instância judicial de alta relevância no país, decidiu revogar a autorização para a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, uma medida que também resultou em sua libertação imediata. Segundo informações fornecidas pelo advogado Fábio Pagnozzi, que representa Zambelli no Brasil, a ex-parlamentar já deixou a prisão.

A equipe jurídica de Zambelli está atualmente avaliando o impacto prático dessa decisão e a possibilidade de sua movimentação internacional. A ex-deputada tem seu nome vinculado à lista de difusão vermelha da Interpol, o que complicaria sua saída da Itália. É um momento de indecisão para Zambelli, pois é preciso analisar se ela ficará no país ou se irá para outro destino sem o risco de prisão.

Pagnozzi destacou que a Corte entendeu que, mesmo com a condenação no Brasil, as penas que Zambelli recebeu foram consideradas desproporcionais e fundamentadas em evidências frágeis, notadamente no que diz respeito ao testemunho de um hacker cuja credibilidade foi questionada pela própria Polícia Federal brasileira. O advogado expressou certa surpresa diante da decisão judicial, uma vez que a equipe de defesa sofreu dificuldades para apresentar provas de sua inocência nos procedimentos de extradição, especialmente devido às constantes intervenções da Advocacia Geral da União.

Esse desfecho ocorre em um contexto em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, havia solicitado que o Ministério da Justiça e o Itamaraty tomassem medidas para efetivar a extradição, respaldando uma decisão anterior favorável da Corte romana. Os casos em questão estão relacionados à primeira condenação de Zambelli pelo STF, que envolveu a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), resultando em uma pena de dez anos de prisão.

A nova decisão da Corte de Cassação também se estende a um segundo pedido de extradição, que diz respeito a uma condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. De cidadania italiana, Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado e, após passar pelos Estados Unidos, fixou residência na Itália. Contudo, foi presa dois meses depois e expressou interesse em ser julgada naquele país.

No Brasil, a Câmara dos Deputados havia rejeitado a cassação do mandato da ex-deputada, mas o STF reverteu essa decisão, culminando na anulação da votação, devido à condenação. Durante o processo de extradição, Zambelli foi mantida detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, por conta do risco de fuga, sendo que, se extraditada, ela cumpriria pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Essa reviravolta na trajetória da ex-deputada reflete a complexidade do sistema judicial que a envolve, destacando as interações entre as legislações brasileira e italiana.

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