Correspondências de apoiadores de Bolsonaro estão retidas há mais de um mês; PM e Correios divergem sobre recusa das entregas em penitenciária.

Nos últimos dias, a situação envolvendo o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, que se encontra detido no Complexo Penitenciário da Papuda, ganhou contornos complexos e intrigantes. A coluna investigativa obteve informações que revelam que as correspondências enviadas por apoiadores do ex-presidente não estão chegando até ele há mais de um mês. Segundo um denunciante anônimo, as cartas são encaminhadas pelos Correios ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (BPMDF), onde, por razões ainda a serem esclarecidas, as correspondências têm sido sistematicamente recusadas e devolvidas ao serviço postal.

Atualmente, centenas de cartas permanecem acumuladas, aguardando retorno aos remetentes, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a eficiência do sistema de entrega. Os Correios, em declaração oficial, confirmaram a versão do denunciante, destacando que a recusa se dá no momento da entrega no local de destino. A situação se torna ainda mais intrigante quando analisamos o cenário legal que rege o direito de correspondência de detentos.

Por sua vez, a Polícia Militar do Distrito Federal reagiu às alegações, negando qualquer irregularidade nas práticas adotadas em relação ao recebimento de correspondências. Em nota, a corporação fez questão de ressaltar que a legislação assegura aos detentos o direito de enviar e receber cartas, e que este direito está sendo integralmente respeitado. O Núcleo de Custódia da PMDF enfatizou que não existe nenhuma decisão judicial que determine a retenção ou restrição das correspondências destinadas a Bolsonaro. Além disso, a PMDF declarou que sua função se limita ao recebimento formal das correspondências, que são submetidas a protocolos de inspeção antes de serem entregues ao destinatário.

Diante dessas informações conflitantes, um clima de incerteza e especulação permeia o caso. A divergência entre a versão dos Correios e a retórica da Polícia Militar levanta questões sobre a gestão do fluxo postal e a transparência nas comunicações de indivíduos sob custódia. Enquanto isso, apoiadores do ex-presidente permanecem ansiosos por notícias e tentativas de contato, utilizando as cartas como uma das poucas formas de se comunicar. A sacralidade do direito à correspondência torna ainda mais urgente a necessidade de esclarecimentos sobre essa situação.

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