Vera Lúcia, que faleceu em 2022, foi sepultada em uma cerimônia dentro das normas habituais. De acordo com Alexandre, ele seguiu os trâmites corretos e aguardou o prazo estipulado para a exumação. No entanto, ao retornar em março de 2025, um funcionário do cemitério relutou em permitir a exumação, alegando que o corpo ainda apresentava restos mortais. O filho, em um momento de confiança, aceitou não ver os restos de sua mãe, apenas para, mais tarde, descobrir que outro corpo, em condições visivelmente diferentes, ocupava a sepultura da sua mãe.
O desamparo e a frustração de Alexandre são palpáveis. “Estamos vivendo o luto novamente”, desabafa, expressando a dificuldade emocional que essa situação representa para ele e sua família. A troca, além de ser profundamente dolorosa do ponto de vista emocional, levanta questionamentos sobre a administração do cemitério e possíveis irregularidades, tendo em vista que um corpo distinto foi sepultado na mesma cova em 2024.
O problema vai além do caso isolado, indicam as últimas investigações que relatam indícios de um suposto esquema de manejo irregular em cemitérios na cidade. Mais denúncias têm gerado novas linhas de investigação, levando a população a temer a presença de uma verdadeira máfia na administração funerária local. A situação se complica ainda mais quando há insinuações sobre a possibilidade de que figuras políticas queiram reformular a gestão dos cemitérios, possivelmente visando contratos milionários.
Recentemente, uma licitação de R$ 385 milhões destinada à administração dos cemitérios foi suspensa após denúncias de irregularidades por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O município, que enfrenta problemas administrativos na gestão funerária há anos, busca um novo gestor. Entretanto, os mesmos candidatos que foram considerados ilegais em uma licitação anterior apareceram novamente, levantando ainda mais suspeitas sobre a integridade do processo.
Este emaranhado de eventos lança uma luz sobre as práticas administrativas nos cemitérios de São Gonçalo e evidencia não apenas a dor de uma família, mas um escândalo que pode ter repercussões muito maiores dentro da administração pública local. Com o relato de Alexandre e o contexto mais amplo, esse caso poderá abrir um novo capítulo nas investigações sobre a gestão dos cemitérios na região.





