Coronel Telhada revela experiência fazendo bico para Gugu Liberato e opina sobre segurança privada de PMs em São Paulo.

Em entrevista exclusiva ao portal Metrópoles, o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, ex-comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e atual deputado federal, Coronel Telhada (PP), abriu o jogo sobre a polêmica prática de PMs fazerem bico como seguranças privados, mesmo sabendo que tal atividade é proibida pela corporação.

Ao longo de sua carreira, que incluiu 15 anos fazendo a segurança privada do apresentador Gugu Liberato, Telhada admitiu ter sido preso no quartel e respondido a procedimentos investigatórios devido ao trabalho extra. Ele ressaltou, no entanto, que a prática é comum entre os policiais, muitos dos quais buscam complementar a renda diante dos baixos salários na corporação.

O coronel enfatizou que, mesmo sendo considerada uma infração grave, existem limites para os PMs que desejam exercer atividades paralelas. Trabalhar para suspeitos de participar do crime organizado, bicheiros, contrabandistas ou fazer escolta de dinheiro vivo e joias estão entre as atividades desaconselhadas e que, segundo Telhada, colocam os policiais em risco.

Em relação à atuação de PMs como seguranças privados de indivíduos investigados, como no caso do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) Vinícius Gritzbach, morto fuzilado no Aeroporto Internacional de São Paulo, Telhada foi enfático ao condenar a prática. Ele classificou como “totalmente irregular” e destacou a gravidade de trabalhar para pessoas envolvidas com o crime organizado.

Telhada também abordou a importância da Dejem (Diária Especial por Jornada de Trabalho Policial Militar) como alternativa legítima para complementar a renda dos PMs durante o horário de folga, substituindo, em grande parte, as atividades de segurança privada. Ele observou que a Dejem e a Operação Delegada com a prefeitura são opções mais seguras e garantidas, reduzindo o número de policiais que recorrem ao bico.

Diante das questões levantadas sobre a prática do bico, Telhada ressaltou a necessidade de manter a integridade e a transparência na atuação dos policiais, evitando envolvimentos com atividades ilícitas e tomando cuidado com quem contratam como seguranças privados. A responsabilidade e o respeito às normas disciplinares e legais são fundamentais para preservar a reputação e a integridade da Polícia Militar de São Paulo.

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