Os Estados Unidos, que sediarão a maioria das partidas – 78 no total –, têm atraído a maior parte da atenção. As preocupações são palpáveis, uma vez que muitos fãs se deparam com o aumento significativo dos custos relacionados ao evento. Os preços dos ingressos estão refutados como exorbitantes, especialmente quando comparados a edições anteriores da competição. As acomodações, tradicionalmente reservadas para o Mundial, permanecem vazias, refletindo as dificuldades financeiras dos torcedores.
Outro ponto que tem gerado críticas se refere ao transporte. Ao contrário das Copas anteriores na Rússia e no Catar, onde o transporte interno era gratuito, nas cidades americanas os custos terão um impacto direto no orçamento dos visitantes. Um exemplo alarmante é a tarifa que está prevista para a viagem de ida e volta entre Manhattan e o MetLife Stadium, que poderá ultrapassar os 100 dólares.
Para agravar ainda mais o cenário, a presença massiva de latinos entre os fãs de futebol e a atual política de imigração dos EUA estão criando um clima de insegurança. Muitos imigrantes, mesmo aqueles com documentação, sentem-se intimidados pela atuação do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), o que pode contribuir para a queda na lotação dos estádios.
Adriano Freixo, especialista em história social, destaca que eventos recentes, como a Copa do Mundo de Clubes, já mostraram que o esvaziamento das arquibancadas é uma preocupação real. Em alguns jogos, ingressos chegaram a ser distribuídos para ONGs e escolas, numa tentativa de aumentar a presença de público.
Além dos fatores econômicos, a Copa de 2026 será marcada por tensões políticas e sociais não vistas em outros Mundiais. Algumas seleções enfrentam restrições de viagem, e o clima de insegurança gerado por conflitos, tanto domésticos quanto internacionais, se revela uma barreira para a circulação de pessoas e a hospitalidade esperada em um evento de tamanha magnitude.
E enquanto a FIFA tenta manter a imagem de organismo neutro, a realidade política e as repercussões da política exterior dos Estados Unidos sublinham que a separação entre futebol e política é mais uma ilusão do que uma verdade. A Copa de 2026 promete, portanto, ser um reflexo de um mundo em conflito, onde as tensões latentes podem ofuscar a celebração do esporte mais amado do planeta.
