Diversos grupos sociais têm se mobilizado, cada um com suas demandas específicas. Famílias de pessoas desaparecidas, sindicatos trabalhistas, movimentos feministas, estudantes e trabalhadores de diferentes setores têm tomado as ruas para reivindicar seus direitos, utilizando a liberdade de expressão garantida pela Constituição. As manifestações se tornaram quase parte do cotidiano da cidade, com um número crescente de protestos registrados. Em 2025, houve mais de 2,7 mil manifestações, sendo 23% delas relacionadas a questões trabalhistas. Isso tem gerado um impacto econômico significativo, com perdas estimadas em cerca de 350 milhões de pesos por semestre, valor que muitos especialistas consideram subestimado, pois não inclui custos com logística e reparações de danos.
À medida que a Copa se aproxima, muitos desses grupos estão direcionando sua insatisfação para o evento esportivo. As “cascaritas”, jogos improvisados de futebol nas ruas, surgiram como um meio criativo para expressar descontentamento. Durante um amistoso entre México e Portugal, integrantes de movimentos contra despejos imobiliários e familiares de desaparecidos organizaram uma ação, sublinhando que o país ainda enfrenta graves crises enquanto se prepara para celebrar um evento esportivo global.
Ativistas têm destacado que o governo não deve ignorar suas vozes. Nas palavras de Jorge Verástegui, do coletivo Hasta Encontrarles, nada deve ser celebrado enquanto mais de 130.000 pessoas continuam desaparecidas. Ele e outros têm clamado por reconhecimento de suas dores e por mudanças nas políticas públicas.
Experientes em lutas sociais apontam que, a partir do momento em que a Copa do Mundo se tornar uma vitrine para o governo, as famílias que buscam seus entes queridos se farão ouvir. Da mesma forma, os agricultores também estão pressionando por suporte do governo federal, alertando que não hesitarão em intensificar suas mobilizações durante o torneio.
Especialistas observam que os protestos, embora possam afetar a mobilidade na cidade, também trazem à tona problemas estruturais do México, exacerbados pela intervenção de capital estrangeiro e gentrificação. As autoridades enfrentarão desafios significativos para conciliar a realização da Copa com as reivindicações sociais. Isso dependerá da habilidade de negociação e da capacidade de diálogo do governo com os diversos atores sociais envolvidos.
O que está claro é que a Copa do Mundo não será apenas um evento esportivo. Serão dias de celebração e, possivelmente, de grandes protestos, refletindo as complexidades e contradições da sociedade mexicana atual. As vozes que clamam por justiça e direitos humanos não poderão ser ignoradas diante do espetáculo do futebol.







