O foco principal do documento será a urgência em acelerar a adoção de energias renováveis em três setores-chave: transportes, indústria e geração de eletricidade. Além disso, será abordada a reformulação de subsídios considerados ineficientes e a implementação de instrumentos regulatórios que incentivem a adoção de práticas com menores emissões de carbono.
Um dos aspectos inovadores do mapa do caminho é a proposta de “precificação de externalidades”. Essa abordagem sugere que, ao estabelecer o valor de um produto, devem ser considerados seus impactos sociais e ambientais. Isso implica que produtos que utilizam energia limpa em sua produção podem ter preços finais mais acessíveis, enquanto aqueles com alta pegada ecológica poderiam se tornar mais onerosos para o consumidor, desincentivando seu uso.
O plano também visa oferecer alternativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, destacando estratégias de baixo custo e soluções tecnológicas que possam ser implementadas rapidamente. Além disso, o documento deverá mapear as variáveis que influenciam a transição energética, considerando diferentes níveis de consumo de combustíveis fósseis nos países e propondo caminhos específicos para cada contexto.
Outro ponto relevante do documento é o papel das empresas de petróleo e gás na transição, indicando como podem alinhar sua produção a metas climáticas de acordo com sua escala de operação. Embora o “mapa do caminho” não faça parte da negociação oficial da COP, seu desenvolvimento é visto como uma resposta às demandas da comunidade internacional por estratégias mais concretas sobre o abandono dos combustíveis fósseis.
Paralelamente, a presidência da COP30 está elaborando um documento para promover a inibição do desmatamento. Esse texto busca incluir a contribuição de diversos atores, como comunidades indígenas e empresas, para garantir uma construção coletiva. As discussões também devem abordar a reforma das regras de comércio internacional, que frequentemente geram disputas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, em um contexto onde o discurso ambiental é utilizado como justificativa para ações protecionistas.
Além disso, o documento abordará a importância de combater crimes ambientais, tanto em nível nacional quanto internacional, e explorará opções de arrecadação financeira por meio de iniciativas como o mercado de carbono. Ao longo do ano, a presidência prevê realizar eventos climáticos para engajar as partes interessadas e aprofundar essas discussões.
No contexto do financiamento climático, a presidência da COP29 já havia acordado um comprometimento de US$ 300 bilhões por parte dos países ricos, embora estimativas apontem para uma necessidade real de até US$ 1,3 trilhão. A nova abordagem se comprometerá a apresentar um roteiro mais detalhado, incluindo estimativas sobre a captação de recursos a partir de diferentes fontes, para atender a essa necessidade crítica.
