O analista Mehmet Rakipoglu, que dirige os Estudos Turcos no Centro Mokha de Estudos Estratégicos, levantou pontos cruciais em relação a essa suposta harmonia. Apesar de ambos os países compartilharem o interesse em desestabilizar o governo de Bashar al-Assad, suas estratégias divergem consideravelmente. Um exemplo claro dessas diferenças está na abordagem em relação ao PYD (Partido da União Democrática), uma extensão do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), considerado uma organização terrorista pela Turquia e por outros governos. Essas disparidades nas táticas adotadas em relação a atores-chave tornam a formação de um pacto robusto entre os dois países algo problemático.
Além disso, tanto os EUA quanto a Turquia têm demonstrado interesse em combater o Daesh, mas a ameaça representada por este grupo terrorista na Síria diminuiu significativamente nos últimos anos. Isso levanta a questão sobre a urgência e a relevância de uma colaboração militar futura, especialmente quando a presença militar do Daesh no território sírio já foi amplamente reduzida.
Portanto, a conclusão de Rakipoglu é que, apesar das declarações otimistas, a cooperação concreta entre os Estados Unidos e a Turquia para enfrentar a crise síria pode não ser tão simples quanto parece. A análise sugere que as diferenças estratégicas, especialmente em relação a grupos armados e a evolução da situação no terreno, serão barreiras a serem superadas para que alguma forma de aliança real se concretize na busca por soluções duradouras para o conflito sírio.
