Contrato Polêmico: ONG Liga-se a Empresário Envolvido com o PCC para Projeto de Internet em Favelas
Um projeto de grande escala para a instalação de pontos de internet em favelas de São Paulo se tornou o foco de uma investigação policial, após a revelação de que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), liderado pela empresária Karina Gama, contratou a empresa de um homem associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A contratação levanta preocupações sobre a integridade do processo de licitação e a idoneidade dos envolvidos.
O empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, autodenominado “Escorpião do PCC”, é o responsável pela empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., que foi subcontratada para implementar 2 mil pontos de wi-fi nas regiões Oeste e Sul da capital. Santos tem um longo histórico criminal, com condenações por roubo, estelionato, receptação e posse de falsa identidade, além de ser réu em um caso de feminicídio pelo assassinato de sua companheira.
A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões entre a prefeitura e o ICB. Esse contrato prevê a instalação de 5 mil pontos de internet, e a investigação revelou que, até agora, houve uma transação de R$ 2 milhões entre o ICB e a empresa de Santos. O valor total que a Favela Conectada pode receber pode atingir R$ 12 milhões.
A polêmica ganhou força quando o vereador Nabil Bonduki (PT) fez uma denúncia sobre a falta de concorrência no processo licitatório, além de questionar a capacidade da ONG em gerenciar redes de wi-fi. A prefeitura, por sua vez, defende a regularidade do programa e afirma que todos os pontos de internet contratados estão funcionando adequadamente, com apenas algumas unidades em manutenção. “A relação com os fornecedores é de responsabilidade do ICB, e não há vínculo direto com a Favela Conectada”, esclareceu a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
Enquanto isso, o ICB não se manifestou sobre as alegações e a investigação continua. O caso ressalta questões sérias sobre a transparência em contratos públicos e a dificuldade de separar iniciativas sociais legítimas de indivíduos com histórico criminal problemático. A sociedade agora aguarda esclarecimentos e ações por parte das autoridades competentes.
