Embora a compra e venda de medicamentos controlados seja uma prática regulada, a realidade é que esses produtos estão sendo oferecidos de forma clandestina. Durante um período de duas semanas, uma investigação revelou a dinâmica desse mercado paralelo. Os grupos operam como lojas virtuais, com tabelas de preços, fotos atraentes e feedback de clientes. Num dos grupos analisados, um administrador promovia os produtos de maneira sedutora, destacando o bem-estar e a autoestima proporcionados pelas ampolas de tirzepatida da marca Alpes, assim como uma série de outras marcas não registradas no Brasil.
Os preços variam bastante; uma ampola de 60 mg da Alpes custa cerca de R$ 1.600, enquanto outras opções como o Lipoless podem ser encontradas por R$ 120. Os anúncios frequentemente garantem resultados rápidos e oferecem o pagamento facilitado via transferências eletrônicas como o Pix, além de contarem com a entrega no mesmo dia – um fator que tem contribuído para a rápida expansão desse comércio.
Dentre os vendedores, muitos relatam ter iniciado a revenda após experiências pessoais positivas com os medicamentos. Uma revendedora da Zona Oeste do Rio revelou que começou a revender as ampolas após constatar a eficácia do produto. A crescente demanda tem atraído mais pessoas para esse mercado, evidenciado pelo prenúncio de uma clientela que se multiplica, muitas vezes incentivada por descontos para novos compradores.
Por outro lado, a Anvisa alerta sobre os riscos associados a essa prática. A agência reitera que muitos dos produtos comercializados não passaram por avaliações que asseguram sua qualidade e segurança. As substâncias impermissíveis, como as comercializadas nos grupos clandestinos, não são autorizadas no Brasil e o uso desaprovado pode resultar em sérios problemas à saúde.
A popularidade dessas drogas não reguladas e o acesso facilitado a elas através de redes sociais e plataformas de mensagens revelam um cenário preocupante. À medida que a demanda por soluções rápidas para a perda de peso cresce, a segurança dos consumidores e a integridade do sistema de saúde precisam ser priorizadas. O fenômeno não só expõe a fragilidade da fiscalização sobre o comércio de medicamentos, mas também os desafios que os usuários enfrentam na busca por alternativas para emagrecimento seguro e saudável.





